sábado, 21 de novembro de 2009

Declaração Anti-Comunista de Praga.

Tradução: G. Salgueiro | Notalatina

DECLARAÇÃO DE PRAGA


Tendo em conta o futuro digno e democrata de nossa comum pátria européia,

- Considerando que as sociedades que esquecem seu passado carecem de futuro;

- Considerando que a Europa não se unirá a menos que seja capaz de unificar sua história, de reconhecer o comunismo e o nacional-socialismo como um legado comum e de conseguir um debate sincero e profundo sobre todos os crimes totalitários do século passado;

- Considerando que a ideologia comunista é diretamente responsável por crimes contra a humanidade;

- Considerando que a má consciência que se deriva do passado comunista é uma pesada carga para o futuro da Europa e para nossos filhos;

- Considerando que diferentes valorações do passado comunista ainda podem dividir a Europa em Ocidente e Oriente;

- Considerando que a unidade européia foi uma resposta direta às guerras e à violência causada pelos sistemas totalitários no continente;

- Considerando que a consciência dos crimes de lesa-humanidade cometidos pelos regimes comunistas em todo o continente deve informar a todas as mentes européias, na mesma medida que os crimes do regime nacional-socialista;

- Considerando que existem similitudes entre o nacional-socialismo e o comunismo no que se refere a seus caráter horrível e espantoso, e a seus crimes contra a humanidade;

- Considerando que os crimes do comunismo ainda necessitam ser avaliados e julgados desde os pontos de vista jurídico, moral e político, assim como do ponto de vista histórico;

- Considerando que tais crimes foram justificados em nome da teoria da luta de classes e do princípio da ditadura do proletariado, que utilizam o terror como método para preservar o poder dos Governos que o aplicaram;

- Considerando que a ideologia comunista foi utilizada como uma ferramenta em mãos de imperialistas na Europa e na Ásia para alcançar seus planos expansionistas;

- Considerando que muitos dos autores que cometem e cometeram crimes em nome do comunismo ainda não foram levados ante a justiça, e suas vítimas ainda não foram indenizadas nem satisfeitas;

- Considerando que o objetivo de proporcionar informação completa sobre o passado totalitário comunista, que conduza a uma compreensão mais profunda e ao debate é uma condição necessária para a futura integração de todas as nações européias;

- Considerando que a reconciliação definitiva de todos os povos europeus não é possível sem um esforço potente para estabelecer a verdade e para restaurar a memória;

- Considerando que o passado comunista da Europa deve ser tratado a fundo, tanto na academia como ao público em geral, e as gerações futuras devem ter fácil acesso à informação sobre o comunismo;

- Considerando que em diferentes partes do mundo só uns poucos regimes totalitários comunistas sobrevivem, porém que, todavia, oprimem aproximadamente a um quinto da população mundial, e ainda se aferram ao poder cometendo delitos e impondo um alto custo para o bem-estar de seus povos;

- Considerando que em muitos países, apesar de que os partidos comunistas já não estão no poder, não se distanciaram publicamente dos crimes dos regimes comunistas nem os condenaram;

- Considerando que Praga é um dos lugares que sofreu tanto com o nazismo quanto com o comunismo,

Estando convencidos de que os milhões de vítimas do comunismo e suas famílias têm direito a desfrutar da justiça, da solidariedade, da compreensão e do reconhecimento de seus sofrimentos da mesma forma que as vítimas do nazismo foram moral e politicamente reconhecidos,

Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência européia e o comunismo,

- Ante a Resolução do Parlamento Europeu sobre o sexagésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 8 de maio de 1945, de 12 de maio de 2005,

- Ante a Resolução 1.481 da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, de 26 de janeiro de 2006,

- Ante as resoluções sobre os crimes comunistas adotadas por vários Parlamentos nacionais,

- Ante a experiência da Comissão pela Verdade e a Reconciliação na África do Sul,

- Ante a experiência dos Institutos da Memória e os Memoriais na Polônia, Alemanha, Eslováquia, República Checa, Estados Unidos, o Instituto para a Investigação de Crimes Comunistas na Romênia, os museus da ocupação da Lituânia, Letônia e Estônia, assim como a Casa do Terror na Hungria,

- Ante as presidências atuais e futuras na UE e no Conselho da Europa.- Ante o fato de que 2009 é o vigésimo aniversário da queda do comunismo na Europa Central e Oriental, assim como dos assassinatos em massa na Romênia e no massacre da Praça de Tianamen em Pequin,

Pedimos:

1. Chegar a um entendimento entre todos os europeus de que os regimes totalitários nazista e comunista devem ser julgados por seus próprios méritos terríveis, por ser destrutivo em suas políticas de maneira sistemática na aplicação das formas extremas de terror, da supressão de todos os direitos civis e das liberdades humanas, começando pelas guerras de agressão e, como uma parte inseparável de suas ideologias, o extermínio e a deportação de nações inteiras e grupos de população, e que como tais devem ser considerados os principais desastres que frustraram o século 20,

2. O reconhecimento de que muitos crimes cometidos em nome do comunismo devem ser qualificados como crimes de lesa-humanidade, de modo que constituam uma advertência para as gerações futuras da mesma maneira que os crimes nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nüremberg,

3. A formulação de um enfoque comum a respeito dos crimes dos regimes totalitários, incluídos os regimes comunistas, e uma versão européia dos crimes comunistas, a fim de definir claramente uma atitude comum frente aos crimes dos regimes comunistas,

4. A introdução de uma legislação que permita aos tribunais de justiça julgar e condenar os culpados pelos crimes comunistas e compensar as vítimas do comunismo,

5. A garantia do princípio de igualdade de tratamento e não-discriminação entre as vítimas de todos os regimes totalitários,

6. A pressão européia e internacional para a condenação efetiva dos crimes do passado comunista e da luta eficaz contra os crimes comunistas em curso,

7. O reconhecimento do comunismo como parte integrante e horrível da história comum da Europa,

8. A aceitação por toda a Europa da responsabilidade pelos crimes cometidos pelo comunismo,

9. O estabelecimento de 23 de agosto, dia da assinatura do pacto Hitler-Stalin, conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop, como um dia de lembrança das vítimas dos regimes totalitários nazista e comunista, do mesmo modo que a Europa recorda as vítimas do Holocausto em 27 de janeiro,

10. A reclamação aos Parlamentos nacionais para que reconheçam os crimes comunistas como crimes contra a humanidade, e modifiquem a legislação pertinente,

11. O debate público sobre o mal uso comercial e político dos símbolos comunistas,

12. A continuação das audiências da Comissão Européia com respeito às vítimas dos regimes totalitários, com vistas à elaboração de uma comunicação da Comissão,

13. O estabelecimento de comitês compostos por experts independentes nos Estados europeus que foram governados por regimes comunistas totalitários, com a tarefa de recolher informação sobre violações dos direitos humanos sob cada regime comunista totalitário em nível nacional, com o fim de colaborar estreitamente com o Conselho de Comitê de experts da Europa,

14. A elaboração de um claro marco jurídico internacional em relação a um acesso livre e irrestrito aos arquivos que contêm informação sobre os crimes do comunismo,

15. A fundação de um Instituto Europeu da Memória e da Consciência, que teria duas funções:

A) a de um instituto europeu dedicado à investigação dos estudos do totalitarismo, o desenvolvimento de projetos científicos e educacionais e o apoio à criação de redes de institutos de investigação nacionais especializados no tema da experiência totalitária,

B) e a de um museu memorial de âmbito europeu das vítimas de todos os regimes totalitários, com o objetivo de recordar as vítimas destes regimes e de dar a conhecer os crimes cometidos por eles,

16. A organização de uma conferência internacional sobre os crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários, com a participação de representantes de governos, parlamentares, acadêmicos, experts e associações, cujos resultados devem ser difundidos no mundo inteiro,

17. O ajuste e a revisão de livros de texto de história européia, para que as crianças possam aprender e ser advertidas sobre o comunismo e seus crimes, da mesma forma que se lhes ensinou a compreender os crimes nazistas,

18. A abertura de um amplo e profundo debate em toda a Europa sobre a história européia e a herança comunista,

19. A comemoração conjunta do 20º aniversário no próximo ano da queda do Muro de Berlim, do massacre da Praça Tianamen e da matança na Romênia.

Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência Européia e o Comunismo, nos dirigimos a todos os povos da Europa, a todas as instituições políticas européias, inclusive os Governos e os Parlamentos nacionais, o Parlamento Europeu, a Comissão Européia, o Conselho da Europa e outros órgãos internacionais pertinentes, e os exortamos a abraçar as idéias e as propostas enunciadas nesta Declaração de Praga, e a convertê-las em medidas práticas e políticas.
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De onde vêm os bebês?

Sérvios utilizam curioso método para eleger Patriarca

Após a morte de Paulo, Patriarca da Igreja Ortodoxa da Sérvia, no Domingo passado, a principal Igreja daquele país prepara-se para escolher um sucessor, seguindo um método muito pouco usual. Cerca de 40 bispos tomarão parte num conclave para nomear três candidatos ao posto de Patriarca. Quando os três nomes forem apurados, cada um será colocado dentro de um envelope, posteriormente selado. Os envelopes serão então colocados dentro de uma Bíblia. Depois de um serviço religioso um monge especialmente seleccionado para o caso, que terá passado dias em jejum e oração, retira os envelopes da Bíblia, baralha-os e entrega um ao Bispo que preside à eleição. O envelope é aberto de imediato, à vista de todos, e o nome do próximo patriarca é anunciado. Trata-se de um método com raízes bíblicas, uma vez que os próprios apóstolos recorreram às sortes para escolher um 12º apóstolo para substituir Judas. Contudo, não é usual na prática das igrejas atualmente. Aparentemente, o sistema terá sido desenvolvido para evitar a interferência das autoridades durante o regime comunista na escolha do Patriarca, e é usado agora pela primeira vez durante a democracia, uma vez que Pavle foi eleito quando a Jugoslávia ainda existia. Segundo os observadores existem três principais candidatos à posição de Patriarca. Os Metropolitas Amfilohije, Irinej e Grigorije .

Fonte: RR

O MARXISMO É ANTICRISTÃO, ABSURDO E INCOERENTE.

pe. Fernando Bastos de Ávila, SJ[*]

A filosofia marxista é o materialismo dialético. Segundo Marx, a matéria evolui dialeticamente, isto é, pela superação de sucessivas contradições ou tensões, passando de uma tese para uma antítese e desta para a síntese. (...) Este processo evolutivo é uma lei imanente do cosmos, que preside suas transformações desde a matéria primitiva, origem de tudo que existe, até a sociedade comunista perfeita, que é o vértice para o qual caminha toda a história e que dá sentido a toda a evolução cósmica. A filosofia marxista é assim uma cosmovisão (Weltanschuung).

O comunismo é, portanto, uma filosofia do cosmos, uma filosofia do homem e uma filosofia da história. Para ele, a origem do cosmos é a matéria. Qualquer indagação sobre a origem desta matéria não tem, para ele, valor científico, porque procuraria algo além do cosmos. A origem do homem é a própria evolução da matéria, passando dialeticamente de formas imperfeitas a formas sempre mais perfeitas. Este homem, mero resultado da evolução da matéria, não tem nenhuma razão de ser, nenhum destino além do cosmos material. Emergindo da matéria, ele volta à matéria, e, quando seu corpo se desintegra, nada mais resta da pessoa humana. O único sentido de sua vida é inserir-se na evolução, na história, e preparar o advento da sociedade futura. Como filosofia da história, enfim, o marxismo a explica como uma marcha segundo uma lei imanente, intrínseca ao próximo processo histórico, pela qual a humanidade se encaminha, determinadamente, para a sociedade comunista. Esta marcha haverá de se realizar através das três etapas da tese, antítese e síntese.

(...)

Por várias razões, um cristão não pode aceitar a filosofia comunista. Primeiro, porque o marxismo é ateu: nega a existência de Deus. Para o comunismo, a origem de tudo é a matéria e tudo se explica pela evolução dialética da matéria. Para ele, Deus é uma criação da alienação religiosa. O homem miserável pela alienação econômica cria a idéia de um ser bom e poderoso a quem possa implorar socorro para a sua miséria. Depois projeta esta idéia fora de si, a objetiva, a personifica e assim cria-se um Deus. Enquanto o homem continuar persuadido da existência de Deus, enquanto não se der conta de que Deus é uma criação de sua miséria, não se decidirá à luta, porque continuará a esperar o auxílio do alto. A religião é o ópio do povo, porque o mantém entorpecido com essas falsas idéias e o impede de descobrir a causa real de sua miséria, e o sentido da história.

(...)

A segunda razão da incompatibilidade do cristianismo com o marxismo reside no fato de que o materialismo comunista é um relativismo moral.

Não existe para ele uma moral absoluta, isto é, princípios morais válidos para todos os tempos. Para o comunismo, só existem princípios relativos a certa fase do processo evolutivo. O que era verdade na fase capitalista não será mais na fase comunista. Um conjunto de idéias e de princípios não tem valor em si, mas enquanto servem de clima, de superestrutura, para permitir que determinada fase histórica desempenhe sua função histórica. Assim, durante o capitalismo, cria-se um direito natural de propriedade. Essas idéias, porém, não tinham valor em si. Eram válidas para a fase capitalista, porque sem elas o capitalismo não poderia funcionar.

O único princípio válido para o comunista é que o fim justifica os meios. Ele considera moralmente bom tudo aquilo que favorece a vitória do partido. (...)

O materialismo dialético não é apenas inaceitável para um cristão. É inaceitável por qualquer pessoa que repudia uma interpretação absurda e incoerente do mundo e da história.

O materialismo dialético é absurdo. Segundo ele, o fenômeno pensamento, consciência, só aparece para o homem, e o homem é um fruto tardio do processo evolutivo. Antes do homem aparecer, e com ele o pensamento, a matéria evoluiu dialeticamente, desde sua forma primitiva até suas formas mais perfeitas. Seguiu assim um roteiro admiravelmente convergente, admiravelmente ordenado, superando dialeticamente formas menos perfeitas até chegar ao homem. É este o sentido do princípio marxista de que a existência é anterior à consciência. (...)

Assim, o materialismo dialético nos obriga a aceitar o absurdo de um movimento evolutivo admiravelmente bem pensado, anterior a todo o pensamento.

O materialismo dialético é incoerente. Se a história também evolui dialeticamente, passando de uma tese para uma antítese, e para uma síntese, por que a sociedade comunista será a síntese final da história humana? Por que, por sua vez, aplicando o próprio princípio dialético, ela não será tese para uma nova antítese e uma nova síntese? Ou o comunismo admite que a história humana terá fim, ou não admite. Se a história terá um fim, por que todas as gerações deverão sacrificar-se em favor daqueles que terão a felicidade de vir no fim? Não existe nenhuma proporção entre o imenso esforço cósmico e o imenso esforço evolutivo de toda a humanidade, de todos os tempos, e a felicidade de uma privilegiada geração final. Se a história não terá um fim, por que a síntese comunista não será por sua vez superada pelo processo dialético?

A esta última objeção, os comunistas respondem dizendo que a sociedade comunista, como sociedade perfeita, não terá tensões internas, e assim não sofrerá a ruptura de suas estruturas, que permitiria a emergência de uma nova forma de sociedade. Tal resposta desconhece a totalmente a psicologia humana, que desejará sempre formas mais perfeitas. Em todo o caso, para não raciocinar sobre um futuro vago e ignoto, a experiência comunista mais longa, a da URSS, não parece confirmar a previsão de que a sociedade comunista absorverá todas as divisões e todas as tensões. A crer em autores comunistas, na própria URSS, tendem a aparecer novas classes entre as quais se esboçam novas tensões.

Ávila, Fernado Bastos de. Solidarismo, Rio de Janeiro, Agir, 1965, p. 100 e 108-112.



[*] Membro atual da cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras, foi eleito em 14 de agosto de 1997, sucedendo a Dom Marcos Barbosa e havendo tomado posse em 12 de novembro de 1997.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Guido Marini _ La partecipazione dei fedeli all'autentico spirito della liturgia


Il silenzio e il canto


"Introduzione allo spirito della liturgia" è il tema della conferenza che il Maestro delle celebrazioni liturgiche pontificie ha tenuto lo scorso 14 novembre a Genova davanti a un gruppo diocesano di animatori musicali della liturgia. Ne pubblichiamo una parte.

di Guido Marini


È urgente riaffermare l'autentico spirito della liturgia, così come è presente nella ininterrotta tradizione della Chiesa e testimoniato, in continuità con il passato, nel più recente magistero: a partire dal concilio Vaticano II fino a Benedetto XVI. Ho usato la parola "continuità". È una parola cara all'attuale Pontefice, che ne ha fatto autorevolmente il criterio per l'unica interpretazione corretta della vita della Chiesa e, in specie, dei documenti conciliari, come anche dei propositi di riforma a ogni livello in essi contenuti. E come potrebbe essere diversamente? Si può forse immaginare una Chiesa di prima e una Chiesa di poi, quasi che si sia prodotta una cesura nella storia del corpo ecclesiale? O si può forse affermare che la Sposa di Cristo sia entrata, in passato, in un tempo storico nel quale lo Spirito non l'abbia assistita, così che questo tempo debba essere quasi dimenticato e cancellato?
Eppure, a volte, alcuni danno l'impressione di aderire a quella che è giusto definire una vera e propria ideologia, ovvero un'idea preconcetta applicata alla storia della Chiesa e che nulla ha a che fare con la fede autentica.
Frutto di quella fuorviante ideologia è, ad esempio, la ricorrente distinzione tra Chiesa pre-conciliare e Chiesa post-conciliare. Può anche essere legittimo un tale linguaggio, ma a condizione che non si intendano in questo modo due Chiese: una - quella pre-conciliare - che non avrebbe più nulla da dire o da dare perché irrimediabilmente superata; e l'altra - quella post-conciliare - che sarebbe una realtà nuova scaturita dal concilio e da un suo presunto spirito, in rottura con il suo passato.
Quanto affermato fin qui a proposito della "continuità" ha a che fare con il tema che siamo chiamati ad affrontare? Assolutamente sì. Perché non vi può essere l'autentico spirito della liturgia se non ci si accosta a essa con animo sereno, non polemico circa il passato, sia remoto che prossimo. La liturgia non può e non deve essere terreno di scontro tra chi trova il bene solo in ciò che è prima di noi e chi, al contrario, in ciò che è prima trova quasi sempre il male. Solo la disposizione a guardare il presente e il passato della liturgia della Chiesa come a un patrimonio unico e in sviluppo omogeneo può condurci ad attingere con gioia e con gusto spirituale l'autentico spirito della liturgia. Uno spirito, dunque, che dobbiamo accogliere dalla Chiesa e che non è frutto delle nostre invenzioni. Uno spirito, aggiungo, che ci porta all'essenziale della liturgia, ovvero alla preghiera ispirata e guidata dallo Spirito Santo, in cui Cristo continua a divenire a noi contemporaneo, a fare irruzione nella nostra vita. Davvero lo spirito della liturgia è la liturgia dello Spirito.
Nella misura in cui assimiliamo l'autentico spirito della liturgia, diventiamo anche capaci di capire quando una musica o un canto possono appartenere al patrimonio della musica liturgica o sacra, oppure no. Capaci, in altre parole, di riconoscere quella musica che sola ha diritto di cittadinanza all'interno del rito liturgico, perché coerente con il suo spirito autentico. Se parliamo, allora, all'inizio di questo corso, di spirito della liturgia, ne parliamo perché solo a partire da esso è possibile identificare quali siano la musica e il canto liturgico.
Riguardo al tema proposto non pretendo d'essere esauriente. Non pretendo, neppure, di trattare tutti i temi che sarebbe utile affrontare per una panoramica complessiva della questione. Mi limito a considerare alcuni aspetti dell'essenza della liturgia, con riferimento specifico alla celebrazione eucaristica, così come la Chiesa ce li presenta e così come ho imparato ad approfondirli in questi due anni di servizio accanto a Benedetto XVI: un vero maestro di spirito liturgico, sia attraverso il suo insegnamento, sia attraverso l'esempio del suo celebrare.

La partecipazione attiva

I santi hanno celebrato e vissuto l'atto liturgico partecipandovi attivamente. La santità, come esito della loro vita, è la testimonianza più bella di una partecipazione davvero viva alla liturgia della Chiesa. Giustamente, dunque, e anche provvidenzialmente, il concilio Vaticano II ha insistito tanto sulla necessità di favorire un'autentica partecipazione dei fedeli alla celebrazione dei santi misteri, nel momento in cui ha ricordato la chiamata universale alla santità. E tale autorevole indicazione ha trovato puntuale conferma e rilancio nei tanti documenti successivi del magistero fino ai nostri giorni.
Tuttavia, non sempre vi è stata una comprensione corretta della "partecipazione attiva", così come la Chiesa insegna ed esorta a viverla. Certo, si partecipa attivamente anche quando si compie, all'interno della celebrazione liturgica, il servizio che è proprio a ciascuno; si partecipa attivamente anche quando si ha una migliore comprensione della Parola di Dio ascoltata e della preghiera recitata; si partecipa attivamente anche quando si unisce la propria voce a quella degli altri nel canto corale... Tutto questo, però, non significherebbe partecipazione veramente attiva se non conducesse all'adorazione del mistero della salvezza in Cristo Gesù morto e risorto per noi: perché solo chi adora il mistero, accogliendolo nella propria vita, dimostra di aver compreso ciò che si sta celebrando e, dunque, d'essere veramente partecipe della grazia dell'atto liturgico.
La vera azione che si realizza nella liturgia è l'azione di Dio stesso, la sua opera salvifica in Cristo a noi partecipata. Questa è, tra l'altro, la vera novità della liturgia cristiana rispetto a ogni altra azione cultuale: Dio stesso agisce e compie ciò che è essenziale, mentre l'uomo è chiamato ad aprirsi all'azione di Dio, al fine di rimanerne trasformato. Il punto essenziale della partecipazione attiva, di conseguenza, è che venga superata la differenza tra l'agire di Dio e il nostro agire, che possiamo diventare una cosa sola con Cristo. Ecco perché non è possibile partecipare senza adorare. Ascoltiamo ancora un brano della Sacrosanctum concilium: "Perciò la Chiesa si preoccupa vivamente che i fedeli non assistano come estranei o muti spettatori a questo mistero di fede, ma che, comprendendolo bene nei suoi riti e nelle sue preghiere, partecipino all'azione sacra consapevolmente, piamente e attivamente; siano formati dalla parola di Dio; si nutrano alla mensa del corpo del Signore; rendano grazie a Dio; offrendo la vittima senza macchia, non soltanto per le mani del sacerdote, ma insieme con lui, imparino ad offrire se stessi, e di giorno in giorno, per la mediazione di Cristo, siano perfezionati nell'unità con Dio e tra di loro, di modo che Dio sia finalmente tutto in tutti" (n. 48).
Rispetto a questo, tutto il resto è secondario. E mi riferisco, in particolare, alle azioni esteriori, pur importanti e necessarie, previste soprattutto durante la Liturgia della Parola. Mi riferisco a esse, perché se diventano l'essenziale della liturgia e questa viene ridotta a un generico agire, allora s'è frainteso l'autentico spirito della liturgia. Di conseguenza, la vera educazione liturgica non può consistere semplicemente nell'apprendimento e nell'esercizio di attività esteriori, ma nell'introduzione all'azione essenziale, all'opera di Dio, al mistero pasquale di Cristo dal quale lasciarsi raggiungere, coinvolgere e trasformare. E non si confonda il compimento di gesti esterni con il giusto coinvolgimento della corporeità nell'atto liturgico. Senza nulla togliere al significato e all'importanza del gesto esterno che accompagna l'atto interiore, la Liturgia chiede molto di più al corpo umano. Chiede, infatti, il suo totale e rinnovato impegno nella quotidianità della vita. Ciò che il Santo Padre Benedetto XVI chiama "coerenza eucaristica". È proprio l'esercizio puntuale e fedele di tale coerenza l'espressione più autentica della partecipazione anche corporea all'atto liturgico, all'azione salvifica di Cristo.
Aggiungo ancora. Siamo proprio sicuri che la promozione della partecipazione attiva consista nel rendere tutto il più possibile e subito comprensibile? Non sarà che l'ingresso nel mistero di Dio possa essere anche e, a volte, meglio accompagnato da ciò che tocca le ragioni del cuore? Non succede, in taluni casi, di dare uno spazio sproporzionato alla parola, piatta e banalizzata, dimenticando che alla liturgia appartengono parola e silenzio, canto e musica, immagini, simboli e gesti? E non appartengono, forse, a questo molteplice linguaggio che introduce al centro del mistero e, dunque alla vera partecipazione, anche la lingua latina, il canto gregoriano, la polifonia sacra?

Quale musica per la liturgia

Non compete a me addentrarmi direttamente in ciò che attiene la musica sacra o liturgica. Altri, con più competenza, tratteranno l'argomento nel corso dei prossimi incontri.
Ciò che, però, mi sta a cuore sottolineare è che la questione della musica liturgica non può essere considerata indipendentemente dall'autentico spirito della liturgia e, dunque, dalla teologia liturgica e della spiritualità che ne consegue. Quanto, allora, si è andato affermando - ovvero che la liturgia è un dono di Dio che a Lui ci orienta e che, mediante l'adorazione, ci permette d'uscire da noi stessi per unirci a Lui e agli altri - non solo cerca di fornire alcuni elementi utili alla comprensione dello spirito liturgico, ma anche elementi necessari al riconoscimento di ciò che davvero può dirsi musica e canto per la liturgia della Chiesa.
Mi permetto, al riguardo, solo una breve riflessione orientativa. Ci si potrebbe domandare il motivo per cui la Chiesa nei suoi documenti, più o meno recenti, insista nell'indicare un certo tipo di musica e di canto come particolarmente consoni alla celebrazione liturgica. Già il Concilio di Trento era intervenuto nel conflitto culturale allora in atto, ristabilendo la norma per cui nella musica l'aderenza alla Parola è prioritaria, limitando l'uso degli strumenti e indicando una chiara differenza tra musica profana e musica sacra. La musica sacra, infatti, non può mai essere intesa come espressione di pura soggettività. Essa è ancorata ai testi biblici o della tradizione, da celebrare nella forma del canto. In epoca più recente, il Papa san Pio X fece un intervento analogo, cercando di allontanare la musica operistica dalla liturgia e indicando il canto gregoriano e la polifonia dell'epoca del rinnovamento cattolico come criterio della musica liturgica, da distinguere dalla musica religiosa in generale. Il concilio Vaticano II non ha fatto che ribadire le stesse indicazioni, così come anche i più recenti interventi magisteriali.
Perché, dunque, l'insistenza della Chiesa nel presentare le caratteristiche tipiche della musica e del canto liturgico in modo tale che rimangano distinti da ogni altra forma musicale? E perché il canto gregoriano come la polifonia sacra classica risultano essere le forme musicali esemplari, alla luce delle quali continuare oggi a produrre musica liturgica, anche popolare?
La risposta a questa domanda sta esattamente in quanto abbiamo cercato d'affermare in merito allo spirito della liturgia. Sono proprio quelle forme musicali - nella loro santità, bontà e universalità - a tradurre in note, in melodia e in canto l'autentico spirito liturgico: indirizzando all'adorazione del mistero celebrato, favorendo un'autentica e integrale partecipazione, aiutando a cogliere il sacro e, quindi, il primato essenziale dell'agire di Dio in Cristo, consentendo uno sviluppo musicale non disancorato dalla vita della Chiesa e dalla contemplazione del suo mistero.
Mi sia permessa un'ultima citazione di Joseph Ratzinger: "Gandhi evidenzia tre spazi di vita del cosmo e mostra come ognuno di questi tre spazi vitali comunichi anche un proprio modo di essere. Nel mare vivono i pesci e tacciono. Gli animali sulla terra gridano, ma gli uccelli, il cui spazio vitale è il cielo, cantano. Del mare è proprio il tacere, della terra il gridare e del cielo il cantare. L'uomo però partecipa di tutti e tre: egli porta in sé la profondità del mare, il peso della terra e l'altezza del cielo; perciò sono sue anche tutte e tre le proprietà: il tacere, il gridare, il cantare. Oggi (...) vediamo che all'uomo privo di trascendenza rimane solo il gridare, perché vuole essere soltanto terra e cerca di far diventare sua terra anche il cielo e la profondità del mare. La vera liturgia, la liturgia della comunione dei santi, gli restituisce la sua totalità. Gli insegna di nuovo il tacere e il cantare, aprendogli la profondità del mare e insegnandogli a volare, l'essere dell'angelo; elevando il suo cuore fa risuonare di nuovo in lui quel canto che si era come assopito. Anzi, possiamo dire persino che la vera liturgia si riconosce proprio dal fatto che essa ci libera dall'agire comune e ci restituisce la profondità e l'altezza, il silenzio e il canto. La vera liturgia si riconosce dal fatto che è cosmica, non su misura di un gruppo. Essa canta con gli angeli. Essa tace con la profondità dell'universo in attesa. E così essa redime la terra" (Cantate al Signore un canto nuovo, pp. 153-154).
Concludo. È ormai da alcuni anni che nella Chiesa, a più voci, si parla della necessità d'un nuovo rinnovamento liturgico. D'un movimento, in qualche modo analogo a quello che pose le basi per la riforma promossa dal concilio Vaticano II, che sia capace di operare una riforma della riforma, ovvero ancora un passo avanti nella comprensione dell'autentico spirito liturgico e della sua celebrazione: portando così a compimento quella riforma provvidenziale della liturgia che i padri conciliari avevano avviato, ma che non sempre, nell'attuazione pratica, ha trovato puntuale e felice realizzazione.



Visto em: L'Osservatore Romano - 18 novembre 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Movimento dos Sem Tiara - MST

Lendo alguns obituários do Patriarca Ortodoxo da Sérvia, chamou-me a atenção um elogio bastante recorrente: “humildade e modéstia”. Vocês notaram, entretanto, na foto do finado patriarca publicada neste blog, uma belíssima coroa. Aliás, todos os patriarcas ortodoxos têm a sua.

O Cardeal Siri, já no seu tempo, denunciava a hipocrisia dos que se opunham aos ricos ornamentos litúrgicos em nome de uma imagem pública de pobreza, simplicidade e humildade. Em 1965, alguns bispos brasileiros, agora defuntos de fato, firmaram o famoso “pacto das catacumbas” contra o triunfalismo clerical – logo eles, os que mais triunfaram no mundo do pós-concílio.

Mas numa época em que o ecumenismo faz um movimento ad orientem – perguntar não ofende – não seria hora de reconsiderar o uso da tiara papal?

Que ninguém me acuse de saudosismo – não tenho idade para isto. Sou mesmo é ecumênico, e por razões ecumênicas lamento que o Bispo de Roma, o primus inter dispares, seja o único patriarca da cristandade sem coroa. (Confira abaixo a exposição de coroas de nossos cismados irmãos ortodoxos)

Até pensei em consultar o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, mas não quis sobrecarregar o staff do Cardeal Kasper com dubium desnecessário e inconveniente; já estão muito ocupados no empacotamento da mudança do eminente presidente.

Bento XVI jamais fará uso da tiara, fiquem tranquilos os espíritos mais sensíveis. Ele não quis ser coroado no início de seu pontificado e excluiu a tiara de seu brasão. Aliás, minha questão nem é a tiara!










Patriarca de Constantinopla














Patriarca de Alexandria





















Patriarca de Antioquia















Patriarca de Jerusalém






















Patriarca da Rússia




















finado Patriarca da Sérvia



















Patriarca da Romênia





















Patriarca da Bulgária



















Patriarca de Geórgia





















Patriarca Copta de Alexandria




















Patriarca da Etiópia




fonte: Oblatus
vejam postagem sobre heráldica

Guia "oficial" da Missa _ Santa Sé

Retirado de Rorate Caeli

Em agosto, Rorate Caeli fez notar que a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei havia disponibilizado seu próprio DVD para a celebração adequada da Missa tradicional . Trechos já foram enviados para o YouTube: