Mons. Pozzo quis esclarecer que, segundo a carta que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum, o rito romano existe em duas formas e que nenhum padre “pode se recusar, em princípio, a celebrar de acordo com uma ou outra forma”. Concretamente, isso implica, para ele, que, se um padre, celebrando normalmente segundo a forma extraordinária, se encontrasse numa situação de necessidade pastoral na qual a autoridade competente exigesse uma celebração segundo a forma ordinária, ele deveria aceitar fazê-lo.
Mons. Pozzo, no entanto, escutou a opinião que Mons. Stankiewicz, decano do tribunal da Rota, exprimiu ao Padre Jehan após ter lido cuidadosamente as constituições do Barroux, e segundo a qual um monge-padre do Barroux não tem o direito de celebrar segundo o Novus Ordo Missae, tanto no exterior como no interior do mosteiro. Assim, a obrigação de celebrar segundo o rito antigo seria um direito-dever específico que se aplica aos monges do Barroux, sendo tal verdadeiro onde quer que eles se encontrem.
Mons. Pozzo disse que conhecia Mons. Stankiewicz. Por sua vez, acrescentou que, ainda que a carta pontifícia que acompanha Summorum Pontificum precise que os padres que celebram o rito antigo não podem recusar por princípio a celebração do novo, ela deixa aberta, no entanto, a possibilidade de um direito próprio para certas sociedades cujos membros celebrariam segundo o rito antigo exclusivamente.
No que diz respeito ao Concílio Vaticano II, para Mons. Pozzo, o problema não está tanto nos textos como na sua interpretação e aplicação abusivas, de acordo com o famoso “espírito do Concílio”. Mas, após tantos e tantos anos de quase monopólio de expressão pública nas mídias e na Igreja, agora é muito difícil separar este “espírito do Concílio” dos textos em si. É necessário, portanto, fazer compreender esta distinção à FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X) e, assim, seus membros poderão aceitar os textos do Concílio.
Quando lhe foi respondido que a FSSPX conhecia bem esse discurso e persistia em sustentar que há problemas graves nos próprios textos do Concílio, Mons. Pozzo modificou sua posição:
– É verdade, acrescentou, que há passagens mal formuladas e pouco claras nesses textos. Isso se deve ao fato de que os padres conciliares queriam evitar a linguagem teológica clássica, para falar de uma maneira “mais acessível aos homens da época”. Isso pôde provocar ambigüidades, mas não significa uma intenção de negar ou mudar a doutrina católica tradicional. Pelo contrário, os padres consideravam que a doutrina católica era uma coisa estabelecida. Tratava-se apenas de alterar a maneira de se exprimir por razões pastorais. Nesta ótica, é, portanto, legítimo criticar as passagens que não são muito claras do ponto de vista da doutrina tal como fora ensinada anteriormente. Mas não é necessário lhes atribuir um significado heterodoxo, pois não havia nenhuma intenção de mudar a doutrina tradicional. Conforme uma sã hermenêutica, é necessário compreender tais passagens do Vaticano II que geram dificuldade num sentido que não contradiz o Magistério constante anterior, pois é o mesmo Magistério que ensina a todas as épocas.
– É necessário, então, distinguir nos documentos, e em cada documento, as reafirmações do dogma e da fé tradicional, as propostas ensinadas como doutrina do Magistério autêntico, das exortações, diretrizes, e, finalmente, das opiniões e explicações teológicas que o Concílio propôs sem qualquer pretensão de vincular (pretesa di vincolare) a consciência católica. Não se deve, portanto, impor aos católicos a aceitação pura e simples de opiniões que o próprio Concílio não impôs com a pretensão de exigir o assentimento intelectual. A esse respeito, seria útil fazer uso das notas teológicas que a teologia e o Magistério formaram durante os séculos. Infelizmente, hoje até mesmo os bispos não são capazes de fazer tais matizes nos documentos da Igreja.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Mons. Pozzo, a exclusividade do rito tradicional e o Vaticano II.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Duas notáveis visitas.
A casa do Instituto do Bom Pastor, em Roma, recebeu recentemente duas insignes visitas. A primeira, de Monsenhor Guido Marini, mestre de cerimônias do Papa Bento XVI, que proferiu uma conferência espiritual no início do advento.
A segunda, de Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, que presidiu o ofício das vésperas e “no decorrer de sua conferência sobre o sentido do Advento, nos lembra que a história não é nem branca nem preta, mas feita de fraqueza humana e sempre iluminada por Deus. “Rezai por mim”. Rezai, nos diz Monsenhor, para que o Papa encontre em seus colaboradores homens de qualidade e de confiança que o apoiem e transmitam sua mensagem e seus projetos”. Nas palavras do abbé de Cazenove, Monsenhor Pozzo brindou a todos com uma “lição simples e prática que nos fez do espírito católico, através da constatação e da análise dos incidentes na Igreja nestes últimos anos. Os princípios, muito claramente afirmados e sobre os quais nenhuma negociação é possível. Constatações lúcidas e pesadas sobre as últimas décadas. Por vezes, o lamento pela falta de esclarecimentos e de orientações por parte da hierarquia no passado. Uma recusa clara e nítida de uma resposta baseada sobre a ideologia e o ativismo revolucionário, a arma dos detratores da Igreja. Mas sempre a idéia de uma vitória pacífica e tranqüila do bem, do belo e do verdadeiro, pelo ensino e pela catequese, pela paciência e sobretudo pela atenção às pessoas, mesmo as mais opostas. Ao fundo, uma lição impressa de realismo, uma atitude que nada surpreende e nada desencoraja, pois ela conhece e por conseguinte… ama”.
Fonte: Fratres in Unum
