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quarta-feira, 9 de março de 2011

Publicação de meu livro




Após um bom tempo sem escrever, venho anunciar a publicação de meu livro pela editora Unesp, sob o selo Cultura Acadêmica. O mesmo pode ser baixado de forma gratuita no seguinte endereço: http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=140

SACRIFICIUM LAUDIS
A HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE DE BENTO XVI E O RETORNO DO CATOLICISMO TRADICIONAL (1969-2009)

ASSUNTO: História
AUTOR(ES): DIAS, JULIANO ALVES
ISBN: 9788579831249
PÁGINAS: 133
ANO: 2010



Nesta obra pretende-se estudar as duas formas rituais da liturgia romana, comparando-as e procurando entender os motivos do cisma, ao mesmo tempo em que se pretende abarcar as ações do atual pontífice e as reações no mundo católico e fora dele. Para tanto, usar-se-á como fonte o Missal tridentino de 1570 e o novo Ordo Missæ de Paulo VI de 1969, bem como os catecismos formulados após os Concílios de Trento (1545-1563) e o Vaticano II (1962-1965), tendo por objetivo comparar suas notificações sobre o culto católico e seu significado. Durante o processo de análise tem-se a intenção de vislumbrar o impacto das mudanças no seio da Igreja, pois constata-se uma espécie de endurecimento no final do pontificado de João Paulo II, com a promulgação de documentos litúrgicos que tendem a criar empecilhos para possíveis abusos durante a missa (Ecclesia de Eucharistia, 2003) - há a retomada e destaque do sentido sacrificial do culto católico e uma série de recomendações impostas pela Congregação do Culto Divino para celebração da missa (Redemptionis Sacramentum, 2004). Fato é que, quarenta anos após o mencionado Concílio Vaticano II e quase quatro décadas de utilização do novo rito da missa, é rara qualquer menção específica na historiografia recente da Igreja sobre o andamento de tal tema. A maioria dos livros de história da Igreja que traça um levantamento de fatos até o Vaticano II, apresentam-no como uma espécie de revolução interna da estrutura eclesiástica sem, contudo, aprofundar o tema ou mostrar as crises na Igreja decorrentes deste.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dom Athanasius Schneider: 54 linhas para descrever como pode ser enriquecida a Nova Missa. Para a Missa Tradicional, 7…

Apresentamos um excerto da entrevista concedida por Dom Athanasius Schneider, ex-professor do seminário de Anápolis, GO, e hoje bispo auxiliar de Karaganda, no Cazaquistão, à Paix Liturgique.

No Motu Proprio que decretou, Summorum Pontificum, Bento XVI formulou um convite explícito ao recíproco enriquecimento das duas formas do único rito romano. Na opinião do Senhor Dom Atanásio, que de bom grado celebra nas duas formas do rito, em que aspectos poderia este enriquecimento manifestar-se de modo mais frutuoso?

AS: Temos de levar o Papa a sério. Não se pode continuar a agir como se ele não tivesse dito essa frase. Ou, aliás, como se ele não a tivesse escrito. Claro está que, mesmo sem que haja necessidade de rever os missais, há meios para proceder a uma aproximação das duas formas do rito.

Uma primeira ideia poderia ser a de celebrar versus Deum a partir do Ofertório, como de resto é previsto pelas rubricas do novo missal. Com efeito, o missal de Paulo VI indica claramente dois momentos em que o celebrante se deve voltar para o povo. Uma primeira vez, no momento do “Orate fratres”, e uma segunda, quando o sacerdote diz “Ecce Agnus Dei”, por altura da comunhão dos fiéis. Que significado dar a estas indicações senão a de que o sacerdote deverá estar voltado para o altar durante o Ofertório e o Cânon? Em Setembro de 2000, a Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos publicou uma resposta relativa a um quesito sobre a orientação [posição] do sacerdote durante a Missa. Ao explicar que «a posição versus populum parece a mais cómoda na medida em que ela torna mais fácil a comunicação», ela precisava, no entanto, que «supor que a acção sacrificial deve ser orientada principalmente para a comunidade seria um grave erro. Se o sacerdote celebra versus populum, coisa legítima e frequentemente aconselhável, a sua orientação espiritual deve estar sempre voltada para Deus por Jesus Cristo».

Parece-me que, hoje e dia, esta resposta que vinha defender a celebração face ao povo poderia ser adaptada à nova realidade criada pelo MP Summorum Pontificum mediante uma recomendação no sentido de se celebrar voltado para o Oriente a partir do Ofertório.

No que toca à comunhão, a Santa Sé também poderia publicar uma recomendação universal a fim de lembrar o que está previsto na Instrução Geral do Missal Romano, no seu artigo 160°: «Os fiéis comungam de joelhos ou de pé, segundo a determinação da Conferência Episcopal. Quando comungam de pé, recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam a devida reverência, estabelecida pelas mesmas normas.» Cabe pois sublinhar que a primeira forma de comunhão a ser referida pelo texto oficial da Igreja destinado a comentar o Novus Ordo é a forma de comunhão de joelhos…

Uma outra possibilidade de enriquecimento da nova liturgia seria a de que as leituras da Bíblia Sagrada fossem feitas por homens em vestes litúrgicas e em caso algum por mulheres ou homens vestidos à civil. E isto porque as leituras são feitas no presbitério, um lugar que desde os tempos apostólicos é reservado ao sacerdote e aos ministros ordenados, aí se incluindo os clérigos com ordens menores. Só na falta destes últimos é que um leigo (homem) podia vir suprir. O serviço do altar, de leitor ou de acólito, não é um exercício do sacerdócio comum, fazendo antes parte do sacerdócio sagrado, em especial do diaconato. É por esta razão que, pelo menos a partir do século III, a Igreja concebeu as ordens menores como uma espécie de introdução às diferentes funções contidas no exercício do diaconato, como, por exemplo, a guarda do santuário e o chamamento dos fiéis à liturgia (ostiário), a leitura da palavra de Deus durante a liturgia (leitor), expulsar os espíritos malignos (exorcista), transportar a luz e servir ao altar (acólito). Assim, é-nos mais fácil compreender porque é que, tradicionalmente, a Igreja reservou a atribuição das ordens menores e a instituição de leitores ou de acólitos apenas a fiéis homens.

Neste sentido, bem se compreende que um dos enriquecimentos permitidos pela aproximação das duas formas litúrgicas consistisse em retornar à sã tradição de reservar o presbitério apenas aos homens: diáconos, acólitos, leitores e crianças de coro (ou coroinhas), todos eles devem ser do sexo masculino. De nada adianta que nos lamentemos do descalabro das vocações quando os rapazes deixam de ser chamados para o serviço do altar.

Por fim, a oração dos fiéis deve ficar reservada apenas aos diáconos, acólitos ou leitores, todos com hábitos litúrgicos. Até seria mais coerente com a tradição bimilenar da Igreja, tanto ocidental como oriental, que esta oração dos fiéis, ou oração universal, fosse proclamada, ou melhor ainda, cantada, unicamente pelo diácono, pois que antes ela recebia o nome de “oratio diaconalis”. Na falta de diácono, seria bom que fosse o próprio sacerdote a lê-la, como de resto acontece com o evangelho. O termo oração dos “fiéis” não significa que a sua proclamação seja uma função dos fiéis. Acreditar nisso seria um erro histórico e litúrgico. De facto, o que isso indica é que ela decorria ao início da missa dos fiéis, depois que tivessem saído os catecúmenos, e quando o diácono ou o sacerdote oferecia à Majestade Divina as intenções de toda a Igreja, e portanto de todos os fiéis, daí o seu nome.

7) E no que respeita à forma extraordinária? De que maneira poderia ela enriquecer-se ao contactar com a forma ordinária do rito romano?

AS: Eu diria que se poderia aplicar à forma extraordinária o espírito que anima os últimos elementos que citei a propósito do Novus Ordo. As leituras sagradas deveriam ser sempre acessíveis aos fiéis, logo, na língua local e não apenas em latim, salvo em ocasiões especiais. Assim, também nesta forma, as leituras poderiam ser feitas por um leitor ordenado ou instituído, isto é, um fiel homem em hábitos litúrgicos. Uma iniciativa bela e útil seria a introdução de alguns prefácios do novo missal, e o mesmo se diga da introdução de novos santos no calendário litúrgico tradicional.

Fonte: Fratres in Unum

Algo mudou: Quatro anos com Monsenhor Guido Marini



Tutti l'hanno notato, tutti ne parlano, tanti ne scrivono: ma cosa ha combinato in questi ormai quattro anni il Monsignore genovese alle Liturgie Papali? Ha recuperato? Ha restaurato? Ha stravolto i piani del predecessore? Sicuramente ha chiuso un'epoca, in gran stile. Ha eliminato le danze, le simbologie e il neutro grigio. Ha ripristinato i troni dismessi dai tempi di Paolo VI, rispolverato paramenti antichi e tesori dimenticati. Ma la trovata migliore è stata sicuramente quella di porre il Crocifisso al centro dell'Altare, e ancora, la comunione sulla lingua ed in ginocchio, tutto secondo le direttive del vero regista, Papa Benedetto XVI che in Liturgia è vero intenditore. Il Guido Marini ha osato e probabilmente oserà ancora. Per rivivere questi (quasi) quattro anni di belle Liturgie Papali, ecco qualche immagine:













immagini da Corbis.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dom Kurt Koch, o Papa e o Vaticano II.

Dom Koch, novo presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Dom Koch, novo presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 13-10-2010, Gaudium Press) Nesta entrevista concedida a um de nossos correspondentes, o novo presidente do Pontifício Conselho da Unidade dos Cristãos, o arcebispo suiço, Dom Kurt Koch, fala, entre outros assuntos, sobre os discursos que proferiu no Ratzinger Schülerkreis” – tradicional encontro do Santo Padre com seus ex-alunos – realizado no dia 28 de agosto passado em Castel Gandolfo. Na ocasião, Dom Koch abordou basicamente as diferentes hermenêuticas relativas ao Concílio Vaticano II, inclusive a do Papa Bento XVI.

Gaudium Press – Sua Excelência em seu primeiro discurso apresenta três hermenêuticas diversas. Quais são as suas diferenças e suas consequências para a Igreja Católica na realização do Concílio Vaticano II?
Cada Concílio é a mesma coisa: de um lado, é arraigado na tradição, mas por outro, o seu olhar é dirigido ao futuro, porque é ali que se encontram os novos desafios e os novos compromissos. Assim foi também para o Concílio Vaticano II, aliás, talvez mais evidente ainda, visto que o Santo Padre João XXIII havia falado de uma atualização para renovar a doutrina da Igreja no novo contexto, e esclareceu desde o início que não queria uma nova doutrina. Agora temos duas hermenêuticas opostas: a hermenêutica da continuidade absoluta, que quer dizer que o Vaticano II não deve dizer coisas novas, mas somente confirmar, porque tudo já estava na tradição, e a hermenêutica da descontinuidade e da ruptura, que quer dizer que com o Vaticano II deve ter início uma outra Igreja…O Santo Padre falou em seu primeiro discurso na Cúria Romana, no Natal de 2005, que é necessária uma nova hermenêutica, aquela da reforma, que quer significar que deve-se renovar, porém dentro da grande tradição e da grande continuidade.

GP – Como caminho certo para a interpretação dos documentos conciliares, Sua Excelência propõe, seguindo o Santo Padre Bento XVI, uma “reforma da reforma” também no campo litúrgico. Qual é o significado desta hermenêutica?
Do ponto de vista dos fiéis, o primeiro efeito do Concílio foi a reforma da liturgia. As pessoas pensavam que a reforma da liturgia fosse um resultado do Concílio Vaticano II. Mas entre a Constituição da Sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium e a reforma da liturgia verdadeira existe uma diferença. A Constituição, apresentando os novos textos, não eliminou os velhos livros da liturgia, mas previu uma reforma e estabeleceu as linhas guias para atuá-la em base as quais, depois do Concílio, foi dado início à reforma da liturgia e dos sacramentos. Sucessivamente foi criada uma nova situação. Sem dúvida a reforma deu muitos bons frutos, mas criou também alguns problemas. Porque quando as pessoas escutam a palavra “reforma” logo pensam que há uma nova liturgia, criada pelo Concílio e não arraigada na tradição. É por isso que algumas pessoas pensaram: “Nós queremos continuar com a nossa liturgia tradicional”. Sobre essa atitude conservadora o Santo Padre disse: “não. Há uma liturgia da reforma que é ainda arraigada na tradição, mas que é também aberta para o futuro”. Entre a Constituição Sacrosantum concilium e a reforma não há uma total identidade. Depois de alguns anos pode-se ver que tudo o que o Concílio quis foi encarnado na liturgia de hoje. Mas se vê que alguns elementos da Constituição sobre a liturgia não foram ainda percebidos pelo povo de Deus, por isto, hoje se deve pensar a como se pode aprofundar o Concílio Vaticano II.

GP – Quais são estes problemas?
Antes de mais nada, penso que a importância da adoração não esteja bem presente nos fiéis. Depois do Concilio se fala muito sobre como aumentar a participação dos fiéis na liturgia e isso é certamente um aspecto muito importante. Por isso se pensou em o que fazer para que os laicos possam participar mais ativamente e intensamente da liturgia. O participar, compreende essa liturgia, quer dizer a maneira de celebrar e de participar da Missa como um ato de adoração. Depois do Concílio há uma grande separação entre a adoração eucarística e a celebração da Missa. Hoje temos um despertar da adoração eucarística fora da Missa. Para mim é muito importante que reconheçamos de novo que a eucaristia é o ato fundamental da adoração. A segunda coisa diz respeito a todo o aspecto do sacrifício eucarístico, que na Santa Missa, depois do Concílio, foi um pouco negligenciado. É dito que a eucaristia é, principalmente uma ceia e não um sacrifício. Aqui temos um conflito e uma ruptura entre duas concepções diversas e isto não é correto.

GP – Na mídia o Santo Padre é visto como um tradicionalista que quer levar a Igreja aos tempos que antecederam o Concílio. Diversamente, Sua Excelência sustenta que o Papa Benedetto XVI seja o “maior intérprete do Vaticano II”. Qual é a verdadeira atitude do Papa em relação ao Concílio Vaticano II?
Há dois equívocos. O primeiro fala da hermenêutica de continuidade do Santo Padre, porque, diz-se que seja um tradicionalista, mas ele não tem uma hermenêutica de continuidade, mas a hermenêutica da reforma. Infelizmente, graças também a Hans Küng , a opinião difusa é que seja atualmente em vigor a hermenêutica da ruptura. É por esse motivo que as pessoas pensam que na realidade a hermenêutica da reforma levará de volta a Igreja aos tempos antecedentes ao Concílio. O Santo Padre, contrariamente, não quer de maneira alguma ir para trás e não que começar uma falsa hermenêutica do Vaticano II.

GP – Porém os atos papais do Motu Proprio Summorum Pontificum e a revogação da excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos reforçaram essa opinião, tornando-se assim objeto de fortes críticas. Qual é o significado desses atos papais? Porque essas decisões?
A hermenêutica da ruptura diz que todo o rito tridentino é uma Missa velha, depois do Concílio temos uma Missa nova. Mas na história nem sempre foi assim, há sempre uma evolução contínua na liturgia. O problema se apresenta sempre da mesma maneira durante os séculos: quando a liturgia foi renovada pelo Papa Pio V depois do Concílio de Trento, que porém havia estabelecido que todos os ritos mais velhos do que 200 anos poderiam permanecer em uso. O Santo Padre quis, de fato, que a reforma da liturgia de João XXIII, de 1962, não fosse somente uma coisa do passado, mas também uma herança para o presente e para o futuro.

GP – Qual é a verdadeira contribuição de Bento XVI na elaboração da nova liturgia? Como o então professor Joseph Ratzinger escreveu o famoso livro sobre a liturgia, Lo spirito della liturgia (O espírito da liturgia)?
Creio que tudo dependa da cristologia do Santo Padre, porque a liturgia depende da cristologia. Se Jesus fosse somente um homem que viveu há dois mil anos, o que faríamos da liturgia? Se como cristãos acreditamos, diversamente, que Cristo é Filho de Deus, morto e ressuscitado por nós, então na liturgia há a Sua presença e a celebração é feita em memória d’Ele. A liturgia, em primeiro lugar não é uma ação dos homens, mas a ação do próprio Cristo presente na liturgia. Esse é o primeiro ponto.

O segundo é que há uma grande unidade e continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. No Antigo temos o culto do templo, o Novo Testamento diz que o próprio Cristo ressuscitado é o novo templo. Por isto não temos mais o sacrifício dos animais, mas temos um sacrifício muito pessoal. O sacrifício do Novo Testamento é Jesus Cristo que dá Sua vida por nós e essa é a nova dimensão do sacrifício, que deve estar presente na liturgia da eucaristia.

O terceiro ponto é que a visão teológica da liturgia vista pelo Santo Padre é uma liturgia cósmica. Hoje temos algumas vezes a impressão que a liturgia seja uma ação da comunidade presente. Mas para o Santo Padre a liturgia tem uma dimensão cosmológica e também é a ponte entre liturgia celeste e liturgia terrena. Neste sentido o Santo Padre disse que a direção preferível para celebrar a Missa é voltado para o leste. Ele quer renovar essa dimensão cosmológica da liturgia. É claro que não podemos mudar os altares de novo. Por isso o Santo Padre disse que é necessário colocar pelo menos um sinal do Crucifixo sobre o altar, de modo que seja visível para o sacerdote e para os fiéis, para lembrar, através da eucaristia, que o Cristo crucificado também ressuscitou.

GP – Pela primeira vez Sua Excelência participou do Ratzinger Schülerkreis e “tornou-se” aluno de Ratzinger: O “L’Osservatore Romano” em um breve artigo citando suas palavras disse que foi uma “experiência concreta, viva, positiva”. Também para nós, Sua Excelência pode descrever como era a atmosfera de um dia passado junto ao Santo Padre com seus ex-alunos?
Era uma atmosfera muito cordial e muito aberta. O Santo Padre participava pessoalmente durante o dia todo das conferências e das discussões. Ele escutava muito atentamente e, concluídas as intervenções, havia uma discussão na presença de seus 40 estudantes. Bento XVI ama a discussão. Tive porém um pouco a impressão que houvesse ainda uma atitude de “professor”. Não posso mais tornar-me um seu aluno porque nunca fui no passado, mas tenho uma ótima relação com esse Kreis. Foi criado um segundo círculo de novos alunos para o aprofundamento da teologia do Santo Padre. São teólogos muito jovens e muito apaixonados e contentes de estudar a teologia do Santo Padre. Estudam e aprofundam temas diversos: da política à tradição de continuidade, à liturgia.

Fonte: Fratres in Unum

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Valente Análise da Reforma Litúrgica Conciliar pelo Arcebispo Dom Malcolm Ranjith.

“O Consilium foi influenciado por tendências inovadoras”

Dom Malcolm Ranjith foi o autor do prólogo da edição inglesa do livro “O Cardeal Ferdinando Antonelli e desenvolvimento da Reforma Litúrgica de 1948 a 1970” de autoria de Monsenhor Nicola Giampietro. Agora oferecemos nossa tradução do texto completo deste prólogo no qual Dom Ranjith, com grande valentia, realiza uma análise precisa da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, pleiteando a grande necessidade de reformar a reforma conciliar. Este precioso prefácio foi escrito em 2008 e aponta para uma importante reflexão sobre os trabalhos conciliares.

Tradução: Carlos Eduardo Maculan

Até que ponto a reforma litúrgica pós-conciliar reflete em verdade a “Sacrosanctum Concilium”, a Constituição do Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia? Esta é uma questão que minuciosamente tem sido debatida nos círculos eclesiásticos desde o mesmo momento em que o “Consilium ad Exequendam Constitutionem de Sacra Liturgia” [cujo secretário geral foi Mons. Annibale Bugnini] encerrou seu trabalho. Nas últimas décadas, tem sido debatido, inclusive, com maior intensidade. E enquanto alguns sustentam que o que foi realizado pelo “Consilium” estava em linha com aquele grande documento, outros se hão mostrado totalmente em desacordo.

Na busca de uma resposta a esta questão, devemos ter em conta a atmosfera turbulenta dos anos que seguiram imediatamente ao Concílio. Em sua decisão de convocar o Concílio, o Papa João XXIII havia desejado que a Igreja se preparasse para o novo mundo que estava emergindo após a desgraça dos desastrosos acontecimentos da II Guerra Mundial. Ele previu profeticamente o surgimento de uma forte corrente de materialismo e secularismo a partir das orientações internas da época precedente, que havia sido marcada pelo “espírito da ilustração” (Iluminismo), e na qual os valores tradicionais da antiga visão de mundo haviam começado a ser sacudidos. A revolução industrial, junto com suas tendência filosóficas, antropocêntricas e subjetivistas, especialmente derivadas da influência de Kant, Hume e Hegel, levaram ao surgimento do marxismo e do positivismo. Isto também provocou a aparição da crítica bíblica, relativizando até certo ponto a veracidade das Sagradas Escrituras, o que por sua parte teve influências negativas na teologia, gerando uma atitude que questionava a objetividade da Verdade estabelecida e a utilidade de defender as tradições e instituições eclesiásticas. Algumas escolas de teologia se atreveram, inclusive, a questionar doutrinas básicas da Igreja. Em realidade, o modernismo já havia sido anteriormente uma fonte de perigo para a fé. É neste cenário que o Papa João XXIII sentiu que era necessário encontrar respostas mais convincentes.

O chamado do Papa para um “aggiornamento”, assumiu, então, o caráter de busca da fortificação da fé, em ordem de fazer mais efetiva a missão da Igreja e ser capaz de responder de forma convincente a estes desafios. Não foi, certamente, um chamado para se caminhar segundo “o espírito dos tempos”, um “colocar-se” passivamente e à deriva, nem tampouco, um chamado para se realizar um novo começo da Igreja, mas sim um chamado para se fazer que a Mensagem do Evangelho servisse de resposta para questões difíceis que a humanidade enfrentaria na época pós-moderna. O Papa explicava o “ethos” por detrás de sua decisão quando declarou: “Hoje, a Igreja está sendo testemunha de uma crise dentro da sociedade. Neste tempo em que a humanidade está às bordas de uma nova era, aguardam para a Igreja tarefas de uma imensa gravidade e amplitude, como nos mais trágicos períodos de sua história. É questão definitiva, que devemos colocar o mundo moderno em contato com as energias vivificantes e perenes do Evangelho [...] em vista de um grande espetáculo – um mundo que revela sua grave pobreza espiritual, e a Igreja de Cristo, que ainda vibra com vitalidade – nós, temos sentido imediatamente a urgência de dever convocar nossos filhos para dar à Igreja a possibilidade de contribuir mais eficazmente em encontrar a solução dos problemas da era moderna” (Constituição Apostólica Humanae Salutis, 25 de dezembro de 1961). E continuava o Papa: “o Concílio que se aproxima se reunirá em um momento em que a Igreja encontra muito vivo o desejo de fortificar sua fé e contemplar-se a si mesma em sua própria unidade. Ao mesmo tempo, sente o urgente dever de dar uma maior eficiência à sua sã vitalidade e de promover a santificação de seus membros, a difusão da Verdade revelada, a consolidação de seus organismo” (ibid).

Portanto, o Concílio foi basicamente um chamado a um fortalecimento da Igreja desde dentro e em ordem de prepará-la melhor para sua missão em meio às realidades do mundo moderno. Subjacente a estas palavras, estava também o sentido da estima que o Papa sentia pelo que a Igreja era até então. As palavras “vibrante” e “vitalidade” usadas pelo Papa para definir o status da Igreja naquele momento, não deixam ver, por certo, nenhum sentido de pessimismo, como se o Papa depreciasse o passado ou tudo que a Igreja havia conseguido até o momento. É por isso que não se pode pensar justificadamente que, com o Concílio, o Papa havia chamado “um novo começo”. Tampouco foi um chamado para que a Igreja “desclassificasse” a si mesma, trocando ou abandonando totalmente suas tradições antiguíssimas, caindo, por assim dizer, absorvida pela realidade do mundo que a rodeia. De nenhuma forma se pediu a troca pela troca em si, senão somente na ordem de fortalecer e preparar melhor a Igreja para enfrentar os novos desafios. Em resumo, o Concílio nunca foi chamado a ser uma aventura sem fundo. Quis-se que fosse uma experiência verdadeiramente pentecostal.

Ainda assim e não obstante o muito que os Papas que guiaram este evento, insistiram na necessidade de um verdadeiro espírito de reforma, fiel à natureza essencial da Igreja, e incluso, quando o Concílio mesmo produziu belas reflexões teológicas e pastorais como a Lumen Gentium, Dei Verbum, Gaudium et Spes e Sacrosanctum Concilium, o que sucedeu fora do Concílio – especialmente dentro da sociedade em seu conjunto e no interior de seu círculo de liderança filosófica e cultural – começou a influenciar negativamente a Igreja, criando tendências que foram danosas para sua vida e sua missão. Estas tendências, que em ocasiões foram, inclusive, representadas mais virulentamente por certo círculos conectados com as orientações ou recomendações dos documentos do Vaticano II. Porém, de todas as formas foram capazes de sacudir os fundamentos da fé e os ensinamentos da Igreja numa medida surpreendente. A fascinação da sociedade com um exagerado sentido de liberdade individual e sua inclinação ao rechaço do perene e do absoluto, junto com outros pensamentos mundanos, tiveram influência dentro da Igreja, e amiúde, foram justificados em nome do Concílio. Esta visão também relativizou a Tradição, a verdade da doutrina desenvolvida e tendeu a idolatrar toda novidade. Continha consigo, fortes tendências favoráveis ao relativismo e o sincretismo religioso. Para eles, o Concílio tinha que ser, de tal sorte, “um novo começo” para a Igreja. O passado havia terminado seu curso; conceitos básicos e temas como o Sacrifício e a Redenção, as Missões, a proclamação e a conversão, a adoração como um elemento integrante da comunhão, a necessidade da Igreja para a salvação, todos estes foram deixados de lado, enquanto que o diálogo, a inculturação, o ecumenismo, a Eucaristia como “banquete” etc, se tornaram mais importantes. Foram depreciados os valores absolutos.

O Cardeal Joseph Ratzinger se referiu a este sempre crescente espírito de relativismo. Para ele, o verdadeiro Concílio “se contrapôs, já durante suas Sessões, com maior intensidade no período posterior, um constante “espírito do Concílio”, que é na realidade um verdadeiro anti-espírito. Segundo este pernicioso espírito (Konils-Ungeist em alemão), tudo que é novo, seria sempre e em qualquer circunstância, é melhor do que tudo que nos foi dado no passado ou do que existe no presente. Este anti-espírito, segundo qual a história da Igreja deveria começar do Vaticano II, considerado como uma espécie de ponto crucial” (Informe sobre a Fé, 1985).

O Cardeal descartava esta visão como falsa já que “o Vaticano II não queria certamente trocar a fé, senão respondê-la de maneira mais eficaz” (ibid). Também afirmou que, de efeito, “o Concílio não seguiu os rumos que João XXIII havia esperado”. E declarava que “é necessário também reconhecer que – ao menos até agora – não foi escutada a homilia do Papa João para que o Concílio significasse um novo salto adiante, uma vida e uma unidade renovadas para a Igreja” (ibid). Estas são palavras duras, porém, diria que muito verdadeiras, já que o espírito de uma exagerada liberdade teológica apartou, por assim dizer, o mesmo Concílio de suas metas declaradas.

O Consilium ad Exequendam Constitutionem de Sacra Liturgia [capitaneado por Mons. Bugnini e responsável direto pelo Rito Novo] tampouco esteve isento de ser influenciado por este incontível maremoto do chamado desejo de “mudança” e “abertura”. Possivelmente, algumas das mencionadas tendência relativizantes também influenciaram a Liturgia, minando a centralidade, a sacralidade e o sentido do mistério, e também minando o que a vida litúrgica eclesial havia nos permitido chegar por meio de uma contínua ação do Espírito Santo na bimilenária história da Igreja. Um exagerado sentido de busca do antropologismo, a confusão da posição entre sacerdotes e leigos e uma ilimitada provisão que abre espaço para a experimentação, foram cada vez mais visíveis em certas escolas litúrgicas.

Os liturgistas também tenderam a selecionar aquelas seções da “Sacrosanctum Concilium” que pareciam dar mais possibilidade à “mudança” ou à novidade, ignorando todas as demais. Por outra parte, existia um enorme sentido de pressa para efetuar e legalizar as mudanças. Tendeu-se a dar muito espaço a um modo de se olhar para a liturgia de forma demasiadamente horizontal. As normas do Concílio que tendiam restringir tal criatividade, ou que eram favoráveis à “forma tradicional”, foram ignoradas. Ainda mais, algumas práticas que a Sacrosanctum Concilium não havia sequer contemplado, foram permitidas na liturgia, como a Missa versus populum, a santa comunhão nas mãos, o abandono do latim, bem como todo canto gregoriano em favor de cantos e hinos em vernáculo sem qualquer espaço para Deus, e a extensão, mais do que além do racional, da faculdade de concelebrar a Santa Missa. Também houve uma extremada má interpretação do princípio da “participação ativa dos fiéis”.

Tudo isto foi efeito da obra do Consilium [esta obra foi o Rito Novo]. Aqueles que guiaram o processo de mudança, tanto dentro do Consilium como dentro da Sagrada Congregação dos Ritos, estiveram certamente influenciados por todas estas tendências inovadoras. No todo, o que eles introduziram foi negativo. Muito do trabalho realizado foi digno de elogios, porém, se deixou muito espaço para a experimentação e para a interpretação arbitrária. Estas “liberdades” foram exploradas até sua máxima expressão pelas mãos dos “peritos” litúrgicos, sendo que tudo isso conduziu a uma confusão demasiada. O Cardeal Ratzinger explicou estes fatos como “alguém se estremece diante do rosto desfigurado da liturgia pós-conciliar e como ela chegou a ser, ou outro se aborrece com sua banalidade e a falta dos estandartes artísticos” (A Festa da Fé, 1986). Isto não é para deixar toda responsabilidade do sucedido unicamente entre os membros do Consilium, todavia, algumas de suas aproximações eram “débeis”. De efeito, houve um espírito geral de ceder acriticamente em certos pontos ao espírito de mudança entusiasta da época, inclusive dentro da Igreja, mais visivelmente em setores e regiões geográficas. Alguns do que tinham autoridade na Sagrada Congregação dos Ritos também mostraram sinais de debilidade neste assunto. Concederam-se demasiados indultos sobre certos requerimentos.

Naturalmente, o “espírito de liberdade” a que alguns setores de peso dentro da Igreja deram “rédeas soltas” em nome do Concílio, inclusive fazendo vacilar aqueles que tomavam decisões importantes, conduziu e muito para a desordem e à confusão, algo que não buscaram nem o Concílio nem os Papas que o guiaram. A triste afirmação do Papa Paulo VI durante a tormentosa década de 70, “a fumaça de satanás entrou na Igreja” (homilia de 29 de junho de 1972 na festa de São Pedro e São Paulo); ou seus comentários acerca das escusas de alguns para impedir a evangelização “sobre a base de certos ensinamentos do Concílio” (Evangelli Nuntiandi, nº 80) mostram como este anti-espírito do Concílio fez mais dolorido seus labores.

A luz de tudo isso e de algumas conseqüências problemáticas para a Igreja, é necessário descobrir como emergiu a reforma litúrgica pós-conciliar, e que figuras ou atitudes causaram a presente situação. É uma necessidade que em nome da verdade, não podemos renunciar. O Cardeal Ratzinger analisou da seguinte forma a situação: ”estou convencido que a crise que estamos experimentado na Igreja se deve, em grande medida, à desintegração da Liturgia. Quando a comunidade de fé, a unidade da Igreja em todo o mundo e sua história, e o mistério de Cristo Vivo não são já visíveis na liturgia, onde mais será a Igreja visível em sua essência espiritual? Então, a comunidade celebra somente a si mesma, uma atividade que é completamente infrutuoso” (Joseph Ratzinger, Memórias. 1998). Como dizíamos antes, certa debilidade por parte dos responsáveis e a atmosfera de relativismo teológico, junto com o sentido de fascinação pela novidade, pela mudança, pelo antropocentrismo, o acento na subjetividade e no relativismo moral, ademais, a noção de liberdade individual que caracterizou a sociedade em seu conjunto, minaram os valores estabelecidos da fé e causaram este deslizamento até a anarquia litúrgica sobre que a qual falou o Cardeal.

As notas escritas pelo Cardeal Antonelli tomam, portanto, novos significados. O Cardeal Antonelli, um dos membros mais eminente e certamente envolvido no Consilium que supervisionou o processo de reforma, pode ajudar-nos compreender as polarizações internas que influenciaram as distintas decisões da reforma litúrgica e pode ajudar-nos também e ter a coragem de melhorar ou mudar o que foi introduzido erroneamente e que parecer ser incompatível com a verdadeira dignidade da liturgia. O Cardeal quando ainda era padre Antonelli há havia sido membro da Pontifícia Comissão para a Reforma Litúrgica criado pelo Papa Pio XII em 28 de maio de 1948. Foi esta comissão que trabalhou na reforma da liturgia da Semana Santa e da Vigília Pascal, reforma que foi tratada com muito cuidado. Essa mesma Comissão foi reconstituída pelo Papa João XXIII em maio de 1960 e, tempos depois, o padre Antonelli formou parte do grupo que trabalhou na redação da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium. Por tudo isso, ele esteve muito próximo e envolvido no trabalho de reforma desde os seus princípios.

Contudo, os ditames do movimento de reforma parecem haverem sido em grande parte desconhecidos até que o autor deste livro, “O Cardeal Ferdinando Antonelli e o desenvolvimento da reforma litúrgica de 1948 a 1970”, Monsenhor Nicola Giampietro, teve acesso a suas notas pessoais e decidiu apresentá-las em um estudo próprio. Este estudo, que foi também dissertação para o doutorado de Mons. Giampietro no Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo em Roma, nos ajuda a compreender os complexos trabalhos internos da reforma litúrgica prévios e imediatamente depois do Concílio Vaticano II. As notas do Cardeal Antonelli revelam um grande homem de fé e da Igreja, que se esforçava por conformar-se com algumas correntes que influenciaram os trabalhos do Consilium ad Exequendam Constitutionem de Sacra Liturgia. O que escreveu neste diário revela candidamente seus sentimentos de alegria como também seus sentimentos de dor e às vezes de medo diante da forma em que coisas estavam sendo feitas, as atitudes de alguns dos personagens principais da reforma, e o sentido aventureiro que caracterizou algumas das mudanças que foram introduzidas na liturgia. Este livro está muito bem redigido e foi citado pelo próprio Cardeal Joseph Ratzinger em um artigo que escreveu para a bem conhecida revista litúrgica “La Maison-Dieu”, intitulado “Resposta do Cardeal Ratzinger ao Padre Gy”. (La Maison-Dieu, nº 230, 2002/2, p. 116). Sobretudo, é oportuno estudá-lo, pois nos ajudará a ver o outro lado das apresentações mais eufóricas da reforma conciliar por parte de muitos autores contemporâneos.

A publicação em inglês deste interessante estudo contribuirá grandemente, estou seguro, para o já existente debate sobre a reforma litúrgica pós-conciliar. O que mais claro chama a atenção do leitor deste estudo é que o Cardeal Joseph Ratzinger declarou; “o verdadeiro tempo do Vaticano II ainda não chegou” (Informa sobre a fé, 1985). A reforma deve continuar, com a necessidade imediata, de reformar o Missal reformado de 1969, dado que um grande número de mudanças que se originaram com a reforma pós-conciliar parecem terem sido introduzidos com grande precipitação e sem reflexão, como declara repetidamente o mesmo Cardeal Antonelli. Necessita-se corrigir a direção para que as mudanças se façam verdadeiramente em linha com a Sacrosanctum Concilium, e se deve ir inclusive mais lejos, segundo o espírito de nosso tempo.

E o que nos impele a tais mudanças no é meramente o desejo de corrigir os erros passados [da reforma litúrgica], senão a necessidade de sermos fiéis ao que a liturgia é e significa para nós, e ao que o Concílio mesmo definiu o que é liturgia. Porque, como declarou o Cardeal Ratzinger, “a questão da liturgia não é periférica: o Concílio mesmo nos recorda que sobre esta, tratamos com o sendo o próprio coração da Igreja e da fé cristã” (ibid). O que necessitamos hoje não é nada além de audácia e alento para colocar o processo em movimento. Necessitamos identificar e corrigir as orientações e decisões errôneas, apreciar com coragem a tradição litúrgica do passado, assegurar que a Igreja redescubra as verdadeiras raízes de sua riqueza e grandeza espiritual, inclusive se preciso reformar a reforma litúrgica, assegurando assim que a Liturgia se transforme verdadeiramente em “expressão eminente da glória de Deus e, em certo sentido, uma intervenção do Céu sobre a terra” (Bento XVI, Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 22 de fevereiro de 2007. Nº 35).

+ Arcebispo Malcolm Ranjith
Secretário da Congregação para o Culto Divino de Disciplina dos Sacramentos
8 de dezembro de 2008, Festa da Imaculada Conceição de Maria.

Fonte: O Ultrapapista Atanasiano

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dom Piero Marini destila seu modernismo a convite da Arquidiocese do Rio.

Dom Piero Marini no Congresso Eucarístico de Brasília - Maio de 2010.

Dom Marini no Congresso Eucarístico de Brasília - Maio de 2010.

Na tarde do dia 11 de maio, o cerimoniário do Papa João Paulo II e um dos principais arquitetos da Missa Nova, Dom Piero Marini, proferiu uma palestra sobre o tema Liturgia na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro. A palestra, proferida para um auditório repleto, falou do papel fundamental da liturgia na vida eclesial. Como era de se esperar, Dom Marini — caído em ostracismo no pontificado de Bento XVI — privilegiou a liturgia “reformada”, chegando a dizer que no Rito Tridentino o padre “ficava de cara para a parede”, informação essa parcialmente corrigida ao final por Dom Karl Romer, que explicou a posição ad orientem como símbolo de onde viria o Cristo Ressuscitado [nenhuma referência ao Sacrário ou a Cruz na parede do altar]. Segundo o prelado, as devoções particulares como o Terço e a Via Sacra praticadas pelos fiéis no rito antigo teriam dado lugar a uma participação mais intensa e afetuosa por parte dos fiéis no rito pós-conciliar. Dom Piero Marini chegou a atuar como secretário pessoal do Monsenhor Aníbal Bugnini, que por sua vez foi secretário onipotente da comissão que trabalhou na reforma da liturgia católica que se seguiu ao Concílio Vaticano II. Mais informações aqui.

Fonte: Fratres in Unum

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mons. Nicola Bux: “La Misa hacia el pueblo se ha creado en el siglo XX, por un movimiento de opinión que pensaba darle la vuelta a las cosas. Por desg

Entrevista a Mons. Nicola Bux de Alba Digital, May-12-2010.

Entrevista al autor de "La reforma de Benedicto XVI"
“Hemos puesto al hombre en el centro, en vez de al Señor”

Gran experto en liturgia, Monseñor Bux habla sobre el Motu Proprio

12/05/2010 José R. Barros


- ¿Podría explicar en qué consiste la participación actuosa de mente y de corazón?

Dice San Pablo en su Carta a los Romanos, en el capítulo 12, que debemos ofrecer nuestros cuerpos como sacrificio razonable, agradable a Dios. Esa es una participación “activa”, es decir; de acto, de acción. Nuestra acción máxima es la de unir nuestra vida a Cristo y, sobre todo, ofrecer nuestra vida a la oferta de Cristo en el sacrificio de la Cruz. Esta es la Misa.

Esta es la participación, la parte que falta cuando San Pablo, en la carta a los colosenses, dice “cumplo lo que falta al sufrimiento de Cristo en mi carne, a favor de su cuerpo, que es la Iglesia”. Él quiere decir que esa actividad, esa acción en la liturgia es unir nuestra vida a la de Cristo. Esa es la participación que la constitución litúrgica del concilio habla y remite: promover, pedir. Por tanto, que los fieles en la liturgia sean conscientes de que cumplen esa parte, que falta -en cierto sentido- a Cristo. Uno puede decir “¿Cómo puede ser? ¿A la Redención de Cristo le falta algo?” No, es completa, “todo está cumplido”. Es nuestra parte la que falta, tenemos que poner de nuestra parte. Esto requiere que miremos a Cristo, que le contemplemos.

- Frente a la participación actuosa, ¿cuales son las características de la mala participación?

Se caracteriza en que, en vez de partir de Cristo, partimos de nosotros mismos, de nuestras ideas, de nuestros proyectos, del deseo de éxito, de organizar la liturgia, de crearla, de cambiarla según los gustos subjetivos y, en suma, poniendo en el centro de la liturgia no al Señor, sino a nosotros mismos. Creo que hoy un síntoma de este centralismo humano, antropologíco, es la sede del celebrante en el centro de la Iglesia. Nunca en la historia se dio así. Incluso el obispo antiguamente no se sentaba nunca en el centro, sino que encabezaba la asamblea, mientras era el altar lo que estaba en el centro.

- Pero hoy la sede está en el centro…

Hemos puesto al hombre en el centro, en vez de al Señor. Alguno puede objetar que el sacerdote representa a Cristo. Sin duda esto es cierto, aunque en una medida muy reducida. Antes Cristo era representado por la centralidad del santuario, del altar. El sacerdote es un ministro de Cristo, por tanto, importante, pero no puede estar siempre en el centro, cuando ofrece la oración de gracias, la eucaristía.

- ¿Por qué la entrada del novus ordo se produjo de una manera tan súbita y, para algunos, tan traumática?

La reforma litúrgica fue impuesta por expertos estudiosos que después se sirvieron de un decreto papal para poder dar fuerza a esa reforma. Es una reforma que no respeta el desarrollo que se había dado antes (1950, 1960) en continuidad, sino que es una reforma que ha creado un trauma. Todos recordamos cuando fue promulgado el calendario de los santos, en 1970; hubo muchas reacciones polémicas; así también cuando fue promulgado el ‘Ordo Missae’, porque se divisaba que venía obligada una forma de celebrar que no estaba en relación con las formas precedentes.

- ¿Esto quiere decir que la reforma de Pablo VI no fue buena?

Era buena, estaba bienintencionada, pero quizás el mismo Pablo VI, como algunos estudiosos han profundizado, no pensaba que se hubiesen traspasado las fronteras que la constitución litúrgica había establecido, sobre todo en el artículo 23, por ejemplo: “que las nuevas formas deben desarrollarse orgánicamente de las ya existentes”. El rito de Pablo VI puede ser celebrado digna y correctamente si se recupera el sentido de la liturgia que tiene el rito tradicional.

- ¿Cual es el objetivo de las reformas litúrgicas de Santo Padre?

Seguir al Papa significa volver a dar centralidad a Cristo en la liturgia, que es el lugar de la presencia de Dios, donde el hombre lo puede encontrar. El hombre de hoy busca a Dios. “En el mundo hay muchos lugares donde la fe corre el riesgo de apagarse”, dice Benedicto XVI a los obispos después de revocar las excomuniones a los cuatro obispos ordenados por Monseñor Lefebvre. En el mundo la fe corre el riesgo de apagarse, hay una necesidad por hacer a Cristo presente en el mundo. Y no hay mejor modo de hacerlo que celebrar la Liturgia en modo ‘mistérico’, digno, profundo. Así que debemos seguir al Papa que conoce bien la liturgia desde el punto de vista histórico, moral, jurídico, pastoral.

- Desde luego, Benedicto XVI aboga por ahondar en el estudio de la liturgia.

Todos -tanto amantes de la tradición como los que aman la innovación- hemos de estudiar más las fuentes litúrgicas, la patrística, las Sagradas Escrituras, la teología medieval y moderna, para descubrir todo lo que se ha desarrollado en 2000 años de historia de la Iglesia. Siempre ha habido reformas litúrgicas, pero no de manera traumática, sino con un desarrollo orgánico. La liturgia se debe desarrollar como se desarrolla un paisaje; no con terremotos, sino con una modificación sin traumas, casi sin darse cuenta. Hoy somos muy sensibles al medio ambiente. No queremos que el paisaje se desgaste, queremos que su desarrollo sea respetado. Así también debe ser para la liturgia.

- Que se celebre la Misa con dignidad tambien parece ser uno de los objetivos de este pontificado.

Dice el Santo Padre que deben haber cada vez más comunidades y lugares ejemplares, que celebren la liturgia con buen ejemplo, con la adoración de Dios. “Participar” quiere decir adorar a Dios, conocer que está presente. Saber que nosotros servimos a Dios, que le damos gloria. Esto es lo que hoy es necesario, porque los jóvenes que buscan climas y ambientes ‘excitantes’ entren en estos ambientes, que no son iguales a los del mundo. Son distintos porque es el lugar del Cielo en la Tierra, el lugar del encuentro del hombre con Dios. Los jóvenes pueden asombrarse de la belleza de las Iglesias.

- La tradición artística de la Iglesia podría ser de gran ayuda para propiciar este encuentro…

Aquí, en España, tenéis unos retablos muy bellos que son un símil de las iconostasis orientales. Cuando uno entra y ve estos retablos extraordinarios, ojos y corazón van a lo alto: el color, el esplendor, la gloria dada a lo divino. También el oído, que escucha la música gregoriana y polifónica. Son cosas que buscan las generaciones jóvenes. Por no hablar de la lengua sagrada, del latín. Hoy los jóvenes viven en una sociedad multicultural. No tienen el problema de decir “no entiendo la lengua”, como las generaciones pasadas. Debemos recrear este clima de la liturgia, que ayuda a la generación de hoy a no buscar en sitios erróneos, sino a buscar a Dios, a buscarse a sí mismos encontrando a Dios.

- ¿El sacerdote mirando a la Cruz en vez de a los fieles cumple una función escatológica?

He dicho antes que la liturgia es la mirada hacia el Señor. De todos, porque la liturgia está enteramente orientada al Señor, es adoración y contemplación del Señor. La posición del sacerdote es vuelto a oriente, es decir, a donde sale el sol, es decir, a Cristo; sol de la justicia, el “sol que surge de lo alto”, como dice San Lucas y en el cántico de Zacarías “el Señor que viene y que vendrá”. Esta mirada, físicamente, está significada por el hecho que también el sacerdote mira a oriente, y todos los fieles, si ven que el sacerdote hace eso, mirarán a oriente también. Como dice el Santo Padre en sus escritos de teólogo, “la Misa no es una especie de círculo cerrado”, donde lo que hacemos es, justamente, un círculo, nos miramos entre nosotros, sino que está abierta al futuro, que viene, que irrumpe.

- ¿La Misa ad orientem ayuda a los fieles a penetrar en el misterio eucarístico?

La palabra “escatología” quiere decir “las últimas cosas que entran en el tiempo”, del griego “escatá”. Es el Señor quien hace las últimas cosas, las cosas siempre nuevas, el Señor que viene a renovar la tierra. La orientación del sacerdote hacia el ábside, hacia la Cruz, es un hecho muy importante. Ahora el Santo Padre pone la Cruz sobre el altar para que, incluso si no se puede celebrar vuelto al Oriente, la Cruz sea el punto de orientación; para que los fieles no miren al sacerdote, sino a Cristo, a la Cruz. Eso es muy importante como modo de continuar la reforma litúrgica, que no se acaba, que continúa siempre, en cada generación. Por tanto, esto de la orientación hacia el Señor, también física, psicológicamente, ayuda a los fieles a entender que la liturgia está orientada al Señor.

- ¿Se puede decir entonces que la Misa Gregoriana se celebra “de espaldas al pueblo”?

Es una frase artificiosa, porque no es verdad. La Misa hacia el pueblo se ha creado en el siglo XX, por un movimiento de opinión que pensaba darle la vuelta a las cosas. Por desgracia, lo han logrado. La Misa no es “de espaldas al pueblo”. Basta asistir a las liturgias orientales, que se celebran todas vueltas hacia el santuario. Hay una parte que sí está vuelta a la asamblea, la liturgia de la palabra, pero la de la anáfora, de la eucaristía, es hacia el Señor. En la liturgia de la palabra, Dios nos habla. En la Eucaristía, nosotros oramos al Señor, le respondemos. Esto es un punto muy importante, desde el punto de vista teológico, psicológico y misionero.

- Frente a los que acusan a la Misa Gregoriana de ‘estecista’, ¿qué cabría responderles?

Yo conozco muchos partidarios de la Misa nueva que tienen un gusto “esteticista”. Es la tentación de todos, la tentación de la forma. No es una condena, porque el hombre tiene ojos y necesita de la forma. No me puede llegar ningún contenido sin ella. Si veo un dulce, una tarta, que estuviese deformada, no me la como. Si en vez de eso, es bonita, está confeccionada, etc., me atrae.

La liturgia es una forma (en griego ‘éstesi’ y ‘forma’ son lo mismo), que debe atraer. No es errado que haya estética. Hasta la teología, dice Hans Urs von Balthasar, es una estética, es una belleza que atrae, pero debe atraer al contenido. Por tanto, la estética no es algo exclusivo de los partidarios de la Misa Gregoriana. Está también en los de la liturgia nueva. La estética es la forma a través de la cual llegamos al contenido principal de la liturgia que es “aquél que es la belleza”, por definición “el más bello de los hijos de los hombres”. Somos atraídos por Él.

Quería concluir invitando a sacerdotes, obispos, y también al Arzobispo de Madrid, a quien he tenido el honor de conocer en el Sínodo de los Obispos sobre la Eucaristía, que sé que es una persona con gran clarividencia, comprensiva, que profundiza en las cosas, a promover esta realidad. Realidad de muchos jóvenes, que -se puede ver en Internet- quieren la celebración de la liturgia tradicional. Así que invito a los obispos a no cerrar los ojos ante esa realidad. La realidad viene antes que nuestras ideas y, como padres, han de ejercer la paternidad; alentando, sosteniendo, corrigiendo, ayudando. Porque así nosotros ayudaremos a este trabajo del Santo Padre de traer a Dios al mundo y de ayudar a los hombres a encontrar a Dios.

Fonte: Secretum Meum Mihi

terça-feira, 27 de abril de 2010

Don Nicola Bux, a propagação da Missa Tradicional e a centralidade do Sacrário.

Publicamos (fonte: Fratres in Unum) abaixo um excerto da entrevista concedida pelo Padre Nicola Bux, consultor para as Cerimônias Pontifícias e das congregações para a Doutrina da Fé e para a Causa dos Santos, ao Padre Stefano Carusi, redator do blog Disputationes Theologicae, do Instituto do Bom Pastor.
Pe. Nicola Bux discursa em congresso sobre o motu proprio Summorum Pontificum em Roma.

Pe. Nicola Bux (à esquerda) discursa em congresso sobre o motu proprio Summorum Pontificum em Roma.

É importante que a Missa antiga — chamada também de tridentina, mas que é mais apropriado chamar “de São Gregório Magno”, como disse recentemente Martin Mosebach — seja conhecida. Ela tomou forma já sob o Papa Dâmaso e depois exatamente Gregório, e não São Pio V, que procurou reordenar e codificar, reconhecendo os enriquecimentos dos séculos precedentes e retirando o que havia de obsoleto. Esta missa, da qual o ofertório é parte integrante, é conhecida antes de tudo com esta premissa. Foram publicadas muitas obras de grandes estudiosos neste sentido e muitos se questionaram sobre a pertinência de reintroduzir o antigo ofertório, para o qual o senhor acena. No entanto, apenas a Sé Apostólica tem a autoridade para agir em tal sentido. É verdade que a lógica que se seguiu ao reordenamento da liturgia após o Concílio Vaticano II levou a simplificar o ofertório, pois se acreditava que ali devesse haver mais fórmulas de orações ofertoriais; agindo assim introduziram as duas fórmulas de benção de sabor judaico e foram mantidas a secreta transformada em oração “sobre as ofertas” e o orate fratres, e pensaram ser mais do que suficiente. Para dizer a verdade, esta simplicidade vista como um retorno à pureza antiga entraria em conflito com a tradição litúrgica romana, com a bizantina e com outras liturgias orientais e ocidentais. A estrutura do ofertório era vista por grandes comentaristas e teólogos da Idade Média como a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que vai se imolar em oferta sacrifical. Por isso as ofertas já eram chamadas de “santas” e o ofertório tinha uma grande importância. A simplificação posterior da qual falei fez com que muitos hoje procurem o retorno das ricas e belas orações “suscipe sancte Pater” e “suscipe Sancta Trinitas”, só para citar algumas. Mas será através de uma maior difusão da Missa antiga que este “contágio” do antigo sobre o novo será possível. Portanto, a reintrodução da Missa “clássica”, se é que posso usar a expressão, pode constituir um fator de grande enriquecimento. É necessário facilitar a celebração regular em dias de festa da missa tradicional ao menos em cada catedral do mundo, mas também em cada paróquia: isso ajudará os fiéis a conhecer o latim e a se sentir parte da Igreja Católica, e praticamente os ajudará a participar da missa nos encontros em santuários internacionais. [...]

[...] [O homem] deve, antes de tudo, poder encontrar na Igreja aquilo que é a definição por excelência do sagrado: Jesus Eucarístico. O tabernáculo deve voltar ao centro. É verdade, historicamente, nas grandes basílicas ou nas catedrais o tabernáculo era em capelas laterais. Sabemos bem que, com a reforma tridentina, preferiu-se recolocar o tabernáculo no centro, também para combater os erros protestantes sobre a presença verdadeira, real e substancial do Senhor. Mas também é verdade que hoje a mentalidade que nos circunda não só contesta a presença real, mas contesta a presença do divino. Na religião, naturalmente, o homem procura o encontro com o divino, mas esta presença do divino não pode ser reduzida a algo puramente espiritual. Esta presença é “palpável” e isso não se faz com um livro, não se pode falar de presença do divino apenas nos termos relativos às Sagradas Escrituras. Certamente, quando a Palavra de Deus é proclamada, é justo falar da presença divina, mas é uma presença espiritual, não a presença verdadeira, real e substancial da Eucaristia. Daí a importância do retorno à centralidade do tabernáculo e, com isso, à centralidade do Corpo de Cristo presente. O lugar central não pode ser a cadeira do celebrante, não é um homem que está no centro da nossa fé, mas é Jesus na Eucaristia. Caso contrário, termina-se por comparar a igreja a um auditório, a um tribunal deste mundo, no centro do qual se senta um homem. O sacerdote é ministro, não pode ser o centro, o centro é Cristo Eucaristia, é o tabernáculo, é a cruz.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Reforma da reforma: Procissão do Senhor dos Passos e da Virgem das Dores, na Sexta-feira Santa de 2009, em Campanha, MGReforma da reforma: Procissão d

Detalhe para o belíssimo pluvial preto, para a estola romana preta, o barrete e a batina com mozeta e sobrepeliz. Resgate de paramentos tradicionais nunca abandonados pela lei, e sim pela prática progressista... A cor da Sexta-feira Santa é vermelho, no rito moderno, mas a procissão pode ser feita com paramentos pretos dada a tradição litúrgica e a falta de regulamentação para esse ato que não está previsto no Missal (apenas no Ritual, no genérico "procissões" e sem mencionar cor).








Fonte: Salvem a Liturgia

segunda-feira, 22 de março de 2010

Mons. Bux à agência Zenit

“A reforma da liturgia, termo que deve ser entendido, de acordo com a Constituição litúrgica do Concílio Vaticano II, como instauratio, ou seja, restabelecimento no lugar certo na vida da Igreja, não começa com Bento XVI, mas com a própria história da Igreja, dos apóstolos até o tempo dos mártires, com o Papa Dâmaso a Gregório Magno, de Pio V e Pio X a Pio XII e Paulo VI. A instauratio é contínua, porque há sempre o risco de que a liturgia perca seu pôsto, que é a de ser fonte de vida cristã; a decadência ocorre quando se submete o culto divino ao sentimentalismo e ao ativismo pessoal de clérigos e leigos, que penetrando no culto o transformam em obra humana e entretenimento espetacular: atualmente um de seus sintomas é dado pelos aplausos na igreja, que acompanham indistintamente o batismo de um recém-nascido e a saída de um ataúde em um funeral. Uma liturgia transformada em entretenimento, não precisa de reforma? Isto é o que Bento XVI está fazendo: como emblema de sua obra reformadora permanecerá sendo a restauração da Cruz no centro do altar, a fim de dar a entender que a liturgia é dirigida ao Senhor e não ao homem, mesmo que seja um ministro sagrado.”
Mons. Nicola Bux

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mons. Klaus Gamber: “a nova teologia (liberal) foi a maior força por detrás da reforma litúrgica”.


…quando Lutero e seus seguidores primeiramente descartaram o Cânon da Missa, tal mudança não era comumente notada pelo povo pois, como sabemos, o padre dizia o cânon em voz baixa, como uma oração privada. Mas Lutero propositalmente não dispensava a elevação da Hóstia e do Cálice, ao menos não inicialmente, porque o povo notaria a mudança. Ademais, nas maiores igrejas luteranas, o latim continuou a ser usado, assim como o canto gregoriano. Hinos alemães existiam antes da Reforma e às vezes eram cantados durante a liturgia, logo não era uma grande mudança. Mais radical do que qualquer mudança litúrgica introduzida por Lutero, ao menos no que concerne o rito, foi a reorganização de nossa própria liturgia – acima de tudo, as mudanças fundamentais que foram feitas na liturgia da Missa. Isso também demonstra muito menos compreensão dos laços emocionais que os fiéis tinham com o rito litúrgico tradicional.

Neste ponto, não é inteiramente claro a extensão com que estas mudanças, de fato, influenciaram as considerações dogmáticas – como foi no caso de Lutero…

O aspecto realmente trágico deste desenvolvimento é que muitos dos envolvidos na elaboração dos novos textos litúrgicos, dentre os quais especialmente bispos e padres que vieram do Movimento da Juventude Católica [Jugendbewegung], estavam atuando de boa Fé, e simplesmente falharam em reconhecer os elementos negativos que eram parte da nova liturgia, ou não os reconheceram corretamente. Para eles, a nova liturgia expressava o cumprimento de todas as suas esperanças e aspirações passadas pelas quais eles esperaram por muito tempo.

Uma coisa é certa: a nova teologia (liberal) foi a maior força por detrás da reforma litúrgica. Todavia, afirmar, como às vezes é feito, que o Novus Ordo Missae é “inválido”, seria ir muito além deste argumento. O que nós podemos dizer é que desde que a reforma litúrgica foi introduzida o número de missas inválidas certamente cresceu.

Nem as persistentes súplicas de distintos cardeais, nem sérios pontos dogmáticos salientados pela nova liturgia, nem apelos urgentes por todo o mundo para que não se fizesse obrigatório o novo missal, puderam parar o Papa Paulo VI – uma clara indicação de seu próprio e forte endosso pessoal. Mesmo a ameaça de um novo cisma – o caso Lefebvre – não pôde movê-lo a ter o Rito Romano tradicional como, no mínimo, coexistente com o novo rito – um simples gesto de pluralismo e de inclusão que em nossos dias e tempos teria sido, certamente, a coisa prudente a ser feita.

Monsenhor Klaus Gamber, Die Reform der römischen Liturgie.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Padre Bouyer e Paulo VI, o diálogo.


Padre Louis Bouyer (foto): Escrevi ao Santo Padre, o Papa Paulo VI, para oferecer minha renúncia como membro da Comissão encarregada pela Reforma Litúrgica. O Santo Padre mandou me buscar imediatamente (e a seguinte conversa ocorreu):

Paulo VI: Padre, o senhor é uma autoridade inquestionável e inquestionada por seu profundo conhecimento da liturgia e da Tradição da Igreja e um especialista neste assunto. Eu não compreendo por que o senhor me enviou sua demissão, quando sua presença é mais que preciosa, é indispensável!

Padre Bouyer: Beatíssimo Padre, se eu sou um especialista neste assunto, digo de maneira muito simples que renuncio porque não concordo com as reformas que o senhor está impondo! Por que o senhor não dá atenção às observações que enviamos ao senhor e por que o senhor faz o oposto?

Paulo VI: Mas eu não compreendo: não estou impondo nada. Eu nunca impus nada neste campo. Tenho completa confiança em sua competência e em suas propostas. É o senhor que está me mandando as propostas. Quando o Pe. Bugnini vem me ver, ele diz: “Aqui está o que os experts estão pedindo”. E como o senhor é um expert nesta matéria, eu aceito seu julgamento.

Padre Bouyer: E enquanto isso, quando nós estudamos uma questão e escolhemos o que em consciência podermos propor ao senhor, o Padre Bugnini toma nosso texto e nos diz que, tendo consultado o senhor: “O Santo Padre quer que os senhores introduzam estas mudanças na liturgia”. E já que não concordo com suas propostas, porque elas rompem com a Tradição da Igreja, então apresento minha demissão.

Paulo VI: De maneira alguma, Padre, creia-me, o Padre Bugnini me diz exatamente o contrário: eu nunca recusei sequer uma proposta sua. Padre Bugnini veio me encontrar e disse: “Os experts da Comissão encarregada pela Reforma Litúrgica pediram isso e aquilo”. E como eu não sou um especialista em liturgia, digo novamente, eu sempre aceitei seus julgamentos. Nunca disse aquilo a Monsenhor Bugnini. Eu fui enganado. Padre Bugnini enganou a mim e enganou o senhor.

Padre Bouyer: É assim, caros amigos, como a reforma litúrgica foi feita!

Visto em Fratres in Unum

Fonte: Inside the Vatican