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sábado, 19 de junho de 2010

Discurso do Papa Bento XVI aos bispos do Espírito Santo e Minas Gerais.

Queridos Irmãos no Episcopado,

«chamados a ser santos, junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (1 Cor 1, 2-3). Com estas palavras, acolho a todos vós, amados Pastores do Regional Leste 2 em Visita ad Limina, e vos saúdo com grande afeto na consciência do laço colegial que une o Papa com os Bispos no vínculo da unidade, da caridade e da paz. Agradeço a Dom Walmor as amáveis palavras com que interpretou os vossos sentimentos de homenagem à Sé de Pedro e ilustrou os desafios e problemas que são objeto do vosso empenho a bem da grei que Deus vos confiou nos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais.

Vejo que amais profundamente as vossas dioceses e também eu participo intimamente deste vosso amor, acompanhando-vos com a oração e a solicitude apostólica. A nossa é uma bela história com início palpável nas Bulas expedidas pelo Sucessor de Pedro para a ordenação episcopal e naquele «Eis-me aqui» proferido por cada um no início da cerimônia da sua sagração e conseqüente ingresso no Colégio dos Bispos. Dele começastes a fazer parte «em virtude da sagração episcopal e pela comunhão hierárquica com a Cabeça e com os membros» (Nota Explicativa Prévia, anexa à Const. dogm. Lumen gentium), tornando-vos sucessores dos Apóstolos com a tríplice função de ensinar, santificar e governar o povo de Deus.

Enquanto mestres e doutores da fé, tendes a missão de ensinar com audácia a verdade que se deve crer e viver, apresentando-a de forma autêntica. Como vos disse em Aparecida, «a Igreja tem a grande tarefa de conservar e alimentar a fé do povo de Deus, e recordar também aos fiéis (…) que, em virtude do seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 13/V/2007, 3). Ajudai, pois, os fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais a descobrirem a alegria da fé, a alegria de serem pessoalmente amados por Deus, que entregou o seu Filho para nossa salvação. Como bem sabeis, crer consiste sobretudo em abandonar-se a este Deus que nos conhece e ama pessoalmente, aceitando a Verdade que Ele revelou em Jesus Cristo com a atitude que nos leva a ter confiança nele como revelador do Pai. Queridos irmãos, tende grande confiança na graça e sabei infundir esta confiança no vosso povo, para que a fé sempre seja guardada, defendida e transmitida na sua pureza e integridade.

Como administradores do supremo sacerdócio, haveis de procurar que a liturgia seja verdadeiramente uma epifania do mistério, isto é, expressão da natureza genuína da Igreja, que ativamente presta culto a Deus por Cristo no Espírito Santo. De todos os deveres do vosso ministério, «o mais imperioso e importante é a responsabilidade pela celebração da Eucaristia», competindo-vos «providenciar para que os fiéis tenham a possibilidade de aceder à mesa do Senhor, sobretudo ao domingo que é o dia em que a Igreja – comunidade e família dos filhos de Deus – descobre a sua peculiar identidade cristã ao redor dos presbíteros» (João Paulo II, Exort. ap. Pastores gregis, 39). O múnus de santificar que recebestes impõe-vos ainda ser promotores e animadores da oração na cidade humana, freqüentemente agitada, rumorosa e esquecida de Deus: deveis criar lugares e ocasiões de oração, onde no silêncio, na escuta de Deus, na oração pessoal e comunitária, o homem possa encontrar e fazer a experiência viva de Jesus Cristo que revela o rosto autêntico do Pai. É preciso que as paróquias e os santuários, os ambientes de educação e sofrimento, as famílias se tornem lugares de comunhão com o Senhor.

Enfim, como guias do povo cristão, deveis promover a participação de todos os fiéis na edificação da Igreja, governando com coração de servo humilde e pastor afetuoso tendo em vista a glória de Deus e a salvação das almas. Em virtude do múnus de governar, o Bispo está chamado também a julgar e disciplinar a vida do povo de Deus confiado aos seus cuidados pastorais, através de leis, diretrizes e sugestões, como previsto na disciplina universal da Igreja. Este direito e dever é muito importante para que a comunidade diocesana permaneça unida no seu interior e caminhe em sincera comunhão de fé, de amor e de disciplina com o Bispo de Roma e com toda a Igreja. Para isso, não vos canseis de alimentar nos fiéis o sentido de pertença à Igreja e a alegria da comunhão fraterna.

Entretanto o governo do Bispo só será pastoralmente proveitoso «se gozar do apoio duma boa credibilidade moral, que deriva da sua santidade de vida. Tal credibilidade predisporá as mentes para acolherem o Evangelho anunciado por ele na sua Igreja e também as normas que ele estabelecer para o bem do povo de Deus» (Ibid., 43). Por isso, plasmado interiormente pelo Espírito Santo, cada um de vós faça-se «tudo para todos» (cf. 1 Cor 9, 22), propondo a verdade da fé, celebrando os sacramentos da nossa santificação e testemunhando a caridade do Senhor. Acolhei de coração aberto quantos batem à vossa porta: aconselhai-os, confortai-os e apoiai-os no caminho de Deus, procurando guiar a todos para aquela unidade na fé e no amor da qual, por vontade do Senhor, deveis ser princípio e fundamento visível nas vossas dioceses (cf. Const. dogm. Lumen gentium, 23).

Queridos Irmãos no Episcopado! Ao concluir este nosso encontro, desejo renovar a cada um de vós os meus sentimentos de gratidão pelo serviço que prestais à Igreja com viva dedicação e amor. Por intercessão da Virgem Maria, «exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens» (Ibid., 65), invoco de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, sobre o vosso ministério a abundância dos dons e consolações celestes e concedo-vos, extensiva aos sacerdotes e diáconos, aos consagrados e consagradas, aos seminaristas e aos fiéis leigos das vossas comunidades diocesanas, uma particular Bênção Apostólica.

Discurso do Santo Padre, o Papa Bento XVI, aos bispos da Conferência Episcopal Brasileira do Regional Leste 2 em visita Ad Limina Apostolorum – 19 de junho de 2010.

Visto em: Fratres in Unum

sábado, 24 de abril de 2010

Arcebispo Americano Demitido

O Papa aceitou, com um ano de antecedência, o pedido de renúncia ao governo pastoral da arquidiocese de Miami de John Favalora. O demitido bispo é conhecido por sua heterodoxia litúrgica e doutrinal.

Eric Giunta nos mostra todos os detalhes (horríveis) de um bispo que tolerava e, de certa forma, estimulava a homossexualidade com sua negligência.

A revolta contra o bispo partiu de um grupo de leigos que, escandalizado com o número aparente e enorme de sacerdotes gays não celibatários, resolveu se organizar e enviar ao Vaticano um relatório sobre aquilo que descobriam.

O bispo também foi acusado de criar um clero que adorava viver na exorbitância, gastando com fluxos e sem consideração ou moderação o dinheiro paroquial.

O Papa decidiu nomear, para o lugar de Favarola, um dos dois únicos bispos da região que é (adivinhem!) pró-missa tradicional e pró-ortodoxia da fé! O novo arcebispos de Miami é Dom Thomas Wenski, até agora bispo de Orlando.

Bispo Wenski é conhecido por estimular uma vida litúrgica numa fidelidade plena com aquilo que tão claramente vem escrito no missal. É um adepto "de carteirinha" da cartilha beneditina da Reforma da Reforma.

Felizes os até então sufocados católicos de Miami.

No Brasil há casos bem semelhantes - bispos que escondem a vida dupla de sacerdotes homossexuais não celibatários. Há casos que pulam aos olhos, infelizmente. Seminaristas com claras inclinações... mas isso é um outro assunto.

Fonte: Igreja Una

April 21, 2010
Orthodoxy vindicated: the real reason Archbishop Favalora of Miami was made to resign


Today is a glorious day, one for which Catholics should rightly be proud. The Bishop of Rome has responded to years of documented moral and financial mismanagement of the Miami Archdiocese by Archbishop John Favalora. On April 20, the Holy See compelled Favalora to tender his resignation "in accordance with canon 401 para. 2 of the Code of Canon Law," in the words of the official Vatican press release.

The canon in question reads as follows:

    A diocesan bishop who has become less able to fulfill his office because of ill health or some other grave cause is earnestly requested to present his resignation from office.

Archbishop Favalora is a mere eight months away from his 75th birthday, upon which Catholic canon law would have required him to submit his resignation, that he might step down from office with the customary grace and dignity. Rome, it seems, didn't care to afford him that courtesy. And for good reason: Favalora did not resign "because of ill health"; he himself has admitted so. So, what "grave cause" could have possibly required an Archbishop to tender his resignation well before the customary date?

There is certainly far more to this decision than the archbishop himself has let on:

    ''I think it's time to move on . . . At age 74, I should know when I can do more and when I can't do more,'' Favalora said, later adding that he's ready for a quieter life and no longer wants ''to be a public figure.''

Whatever else might be said of Favalora's putative justifications, none of them comprise what a reasonable observer would call "grave cause." Rome is not spilling the beans on the reasons for Favalora's removal, and neither will the Miami Archdiocese.

But I think I have a good idea why. For the benefit of my newer readers, I will recapitulate what I wrote in these pages several months ago:

    In 2004, a group of concerned lay Catholics of the Miami Archdiocese constituted themselves a lay "watchdog" organization, under the name Christifidelis. They were moved to do so by what they have alleged is a gay superculture running the archdiocese.

    Attorney Sharon Bourassa, a member of Christifidelis, was counsel for The Rev. Andrew Dowgiert in a lawsuit filed against the Archdiocese in May of 2005. Fr. Dowgiert, on loan from a Polish archdiocese and soon to be incardinated in Miami, alleged that he was "fired" from active ministry in the Miami Archdiocese after whistle-blowing on homosexual activity by several pastors of the Archdiocese (particularly that of Fr. Anibal Morales of All Saints Parish [in Sunrise]).

    In 2005 and 2006, RenewAmerica.com columnist Matt Abbott published several articles tracing developments in what became known as the "Miami Vice" scandal. Bourassa claimed that several "straight" priests were feeding her information on a culture of sodomy and theological heterodoxy on the part of priests of the Miami Archdiocese. Among the allegations: 70 to 90 percent of the Archdiocese's priests are sexually active gays; Archbishop Favalora and Catholic Charities of Miami owned several thousand shares in stock for a liquid aphrodisiac popularly sold in gay clubs and strip joints; at least 70 percent of the United States bishops are sexually active gays; many priests were misappropriating parish funds to live exorbitant lifestyles, and Archbishop Favalora and vicar-general Msgr. William J. Hennessey are in some way implicated in this superculture.

    The lawsuit was eventually dismissed, on the grounds that it involved "separation of church and state" issues. The court refused to determine whether a religious employer wrongfully terminated the ministerial employment of an ordained cleric. In dismissing the case, the court made no determination on the veracity of the above allegations.

    This writer [i.e., Eric Giunta] can personally testify to the truth of at least one of the above allegations, namely, that the vast majority of the Archdiocese's pastors are homosexuals. Yours truly applied to the seminary formation program of the Miami Archdiocese in the Spring of 2005. I was immediately blacklisted as an ultraconservative "traditionalist" for my regular assistance at the Latin Mass Community at Miami's St Robert Bellarmine parish.

    During my course of interviews with priests from the Archdiocese's vocations admissions board, one priest volunteered to me (with absolutely no prompting on my part) the fact that "if the new Holy Father [i.e., Pope Benedict XVI] were to get rid of every gay priest, this Archdiocese could run maybe . . . ten parishes." The Archdiocese, at the time, operated at least 121 parishes and/or missions.

    At the end of the day, I was refused admission to the Miami seminary, and advised to seek out a more "conservative" diocese or religious order. I applied, and was accepted, to the formation program of another Diocese, a "conservative" (read: orthodox) one in the Midwest. This Midwestern Diocese used to send its Hispanic men to the seminaries in Florida, but stopped doing so owing to the rampant homosexuality tolerated and inculcated, particularly at St John Vianney in Miami.

    [In the summer of 2006,] I and several other Catholics sent to Rome an exhaustive report (hundreds of pages of text, documentation, and eye witness accounts) detailing and documenting all these allegations and more. Rome responded to the report.

At the time I penned these words, I did not feel free to divulge just how Rome responded to the report, which we titled "Miami Vice." I now feel at complete liberty to do so.

The aforementioned attorney, Ms. Sharon Bourassa, was contacted by a Vatican monsignor, who met with her in person and assured her that the Holy See would be investigating each and every one of the allegations presented in the report. Ms. Bourassa shared with this monsignor the names and contact information of several confidential eye witnesses, including several priests. Months later, this monsignor contacted her again, informing her that our allegations had all been vindicated, and that Rome was going to act on the report. This was in the late Fall of 2006.

Four years later, Rome has finally acted, and in doing so has vindicated RenewAmerica columnist Matt Abbott, myself, Ms. Bourassa, and all the lay faithful of the Archdiocese who have suffered tremendous persecution and ostracization for defending the integrity of the Catholic Church's doctrine, liturgy, and moral witness.

And we owe a debt of gratitude to our supreme pastor, Pope Benedict XVI.

Already the tide was turning in our Archdiocese after the Pope conducted the visitation of America's seminaries beginning in late 2005, effectively beginning to clean up the mess his disastrous predecessor left behind. Four years later I am proud to report that the climate has, even now, changed markedly from when I applied just five years ago. I have met several fine, orthodox young men from Miami's St John Vianney College Seminary, in fact at a Gregorian Chant Conference held in Ave Maria, FL. Participation at such a conference just five years ago would have blacklisted any seminarian from the Archdiocese, causing him to be labeled a reactionary rad-trad. Not any longer. The young men, readers of this column, were anxious to share with me the change of climate on campus, and asked me to share this felicitous news with my readers. And so I am.

Now, the real reform can begin. Replacing Archbishop "Ayatollah Favalora" (aka "The Don") will be Bishop Thomas Wenski of Orlando. Bishop Wenski is one of only two Florida bishops (the other being Frank Joseph Dewane of Venice) who have distinguished themselves as staunch, vigorous defenders of Catholic orthodoxy and liturgical reform, and Wenski's promotion to the Sunshine State's primatial see bodes well for both the state and the country. His accomplishments in Orlando have been many, among them:

    a) Liturgical reform: Before Wenski's episcopate, the Orlando Diocese did not have a single parish that celebrated the Catholic liturgy in a reverent, traditional manner. Now, at least five parishes offer the Tridentine Latin Mass regularly, and the Priestly Fraternity of St Peter has just been invited to establish a full-time apostolate in the Diocese. The quality and beauty of Catholic worship is improving exponentially, and this is a healthy sign for any local church.

    b) Wenski was the first Florida bishop to ever teach his flock how to vote in accord with Catholic principles. In every election since 2004 he has made clear that abortion and traditional marriage (and similar issues) trump prudential considerations on things like health care, the environment, and the economy. Newly-appointed Dewane followed his lead in the '08 elections.

    c) Wenski is a staunch defender of the rights of God, and of His Church. He engages the culture by frequently contributing his editorialship to the local print media, is a tireless protector of the poor and the marginalized, and brings the Scriptures alive in his preaching and teaching. Most famously, he celebrated a Solemn Mass of Reparation to atone for the scandal of Notre Dame University's award of an honorary doctorate to Barack Obama, the most radically pro-abortion, pro-homosexualist president in United States history.

In his governance of the Catholic Church in Miami-Dade, Broward, and Monroe Counties, which he will assume on June 1, Bishop Wenski will be assisted by Felipe de Jesús Estévez and John Gerard Noonan, the Miami Archdiocese's auxiliary bishops. All three are holy, capable, and learned men who will be vigorous promoters of reform, discipline, and purification in a local church that needs it so badly.

The stage has been set for a real renaissance of Catholic Christianity in South Florida. The region is a haven of culture-of-death leftism, and these three bishops have their work cut out for them. Our thoughts and prayers at RenewAmerica are with them.

Fonte: Eric Giunta

sábado, 6 de março de 2010

Conferências no Brasil e em Portugal

Como deve ser de conhecimento de todos os leitores desse blog, neste ano estão previstos dois encontros sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum em terras de lusófonas.

O primeiro será no Brasil, precisamente na Diocese de Garanhuns, governada por Dom Fernando Guimarães. Os detalhes vieram do blog "Salvem a Liturgia!" e seguem abaixo:

ENCONTRO SACERDOTAL SOBRE O MOTU PROPRIO
“SUMMORUM PONTIFICUM”
DE S.S. O PAPA BENTO XVI
“UM GRANDE DOM ESPIRITUAL E LITÚRGICO
PARA TODA A IGREJA”


Caro irmão no sacerdócio,

Laudetur Jesus Christus!

Temos a satisfação de convidá-lo a participar de um encontro sobre o Motu Proprio “Summorum Pontificum” e suas conseqüências no campo da liturgia, do direito litúrgico e da espiritualidade ao comemorarmos os três anos de sua publicação por S. S. o Papa Bento XVI.

Este encontro tem o patrocínio de Dom Fernando José Monteiro Guimarães, C.SS.R., Bispo diocesano de Garanhuns, o qual trabalhou muitos anos com o Card. Castrillón Hoyos em Roma e recentemente foi nomeado membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica e conta com o apoio da Administração Apostólica São João Maria Vianney.

Realizar-se-á nos dias 17, 18 e 19 de junho deste ano na cidade de Garanhuns, uma cidade serrana perto de Recife de clima muito ameno.

Aos que desejam participar pedimos a prévia autorização escrita do próprio Ordinário (o bispo para os padres diocesanos ou o superior religioso competente para os religiosos) que deverá ser enviada a:

Dom Fernando José Monteiro Guimarães, C.SS.R.
Av. Santo Antônio, 40 Centro
CEP 55293-000 Garanhuns – PE
Fone: 0 XX 87 3761 2765
E-mail: bispogaranhuns@yahoo.com

A respeito disto Dom Fernando Guimarães, C.SS.R. enviará um convite com a programação do encontro a todos os bispos do Brasil em cujas dioceses se celebra a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito ou em que há padres interessados.

Aguardando a confirmação de sua participação a este momento de estudo, reflexão, oração e comunhão que será também uma graça para toda a Igreja contamos com suas orações e as de sua comunidade e o saudamos cordialmente.

A Comissão Preparatória

LOCAL DO ENCONTRO
Seminário São José
Av. Rui Barbosa, 200 - Garanhuns - PE, 55296-300
Fone: 0 XX 87 3761 3747‎

Obs: Posteriormente enviaremos maiores informações de como chegar de Recife a Garanhuns.

A programação encontra-se no próprio blog - http://www.salvemaliturgia.com/2010/03/excelente-noticia-ncontro-de-sacerdotes.html

O segundo encontro, em Portugal, será em setembro, na cidade de Fátima. O encontro português configura-se como um Workshop. Mais detalhes em www.sanctamissaportugal.wordpress.com.

É uma alegria imensa saber dessas duas iniciativas. O Motu só não é mais conhecido por falta de divulgação e encontros como estes realmente ajudam, diria que são fundamentais. Mais importante ainda é ver que pelo menos um bispo do Brasil está comprometido com o Motu do Papa. Não basta "autorizar" a missa tradicional, é preciso divulgar a missa tradicional e quando um bispo o faz torna-se sinal para todos os outros. Dom Fernando é um pioneiro!

Aos organizadores do Workshop em Portugal, nossas mais profundas orações, do outro lado do Atlântico!

Fonte: Igreja Una

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Bispo Brasileiro Critica Marxismo na Juventude Católica


Será que os Bispos do Brasil estão acordando?


Um texto publicado no site da CNBB (para o espanto do Jorge Ferraz, meu e seu...) fala sobre certa ideologia "que louva certas revoluções, de viés claramente esquerdizantes."
O texto, de autoria de , Dom Aloísio Roque Oppermann, fala prioritariamente dessa ideologia sendo enfiada goela abaixo dos jovens.
Já perdi a conta de quantas mensagens já recebi aqui neste blogue que me acusam de parcialidade e preconceito para com as coisas objetivamente "esquerdizadas" que acontecem na Igreja do Brasil. Quantas críticas aos meus textos contra Campanha da Fraternidade e à PJ... realmente perdi a conta. Mas não se preocupem, não vou me fixar nisso.
Agora o discurso é proferido por outra pessoa, um bispo. É claro que a crítica não é tão insistente, nem menciona com força o nome da PJ mas...

"Recebo uma revista católica, que leio religiosamente. Destina-se aos Jovens. É escrita por uma equipe de pessoas de bom nível intelectual e didático. Mas lá no fundo, a linha de pensamento me deixa preocupado. Entre outras coisas, mensalmente sai um artigo que louva certas revoluções, de viés claramente esquerdizantes. É um estímulo aos jovens, para canalizar suas energias, de modo bem suave, para o socialismo"


Não é de hoje, e isso eu digo desde sempre, que os jovens estão sendo doutrinados segundo essa linha esclerosada, arcaica e morta de ideologia. Qualquer pessoa, com um mínimo de coerência, saberá reconhecer que, em qualquer folheto destinado às Pastorais da Juventude, estará de estampado forma clara e descarada o marxismo pavoroso.
O universo de publicações negativas é muito maior que o citado pelo bispo em questão. Revistas "católicas", folhetos de campanhas "católicas", todo tipo de subsídio para jovens "católicos", enfim, tudo que é produzido oficialmente pelos organismos da CNBB (não sejamos tolos, vamos dar o nome do patrão para não bater só no empregado...) é o mais puro marxismo tosco.
O outro mundo possível, a tal da civilização do amor e da justiça que frequentemente lemos nesses materiais é "o que menos interessa. O que se busca é uma nova ordem social, evidentemente socialista".
Dom Oppermann está certíssimo em criticar. Penso que ele corre o risco de se tornar "divisivo" ou "impopular". Grande coisa...
Mas será que os jovens que, com freqüência medonha, param aqui para me criticar farão o mesmo com Dom Oppermann? OK! Forcei a barra...
O que me interessa é saber se os bispos do Brasil, ou pelo menos alguns poucos, estão despertando da longa hibernação sobre o marxismo? The dream is over?
Se Dom Oppermann tivesse redigido este texto na década de 90, bom, primeiro ele jamais seria publicado no site da CNBB, segundo, o bispo seria massacrado publicamente pelos confrades no episcopado. Vemos como as coisas estão (LENTAMENTE) mudando. Já é possível ver um bispo crítico da caminhada desastrosa da Igreja Brasileira.

Fonte: Igreja Una

domingo, 10 de janeiro de 2010

Funeral de obispo: católicos desafiaron a las autoridades

Al menos 5.000 fieles participaron de los funerales de monseñor Leo Yao Liang, un prelado que no era reconocido por China al no pertencer a la iglesia oficial de ese país.

Al menos 5.000 fieles católicos chinos desafiaron la prohibición y el frío para participar hoy de los funerales de monseñor Leo Yao Liang, obispo coadjutor de Xiwanzi, donde murió el 30 de diciembre, informó el sitio de Asianews.

Monseñor Yao no era un opbipo reconocido por el gobierno chino, razón por la cual las autoridades le habían prohibido el uso de las insignias episcopales durante el rito en la iglesia, obligando a referirse al difunto prelado como “pastor” y no como “obispo”.

Sin embargo, según testigos, los fieles colocaron en el ataúd las insignias episcopales.

El cuerpo fue sepultado por sacerdotes de Xiwanzi. Para facilitar el recorrido del féretro desde la iglesia al cementerio, los fieles retiraron con palas la nieve que en gran cantidad cayó en estos días en la región.

Nacido en 1923, Yao pasó 26 años en prisión por no haber adherido a la Asociación Patriótica.

Fue designado obispo coadjutor clandestinamente en 2002; en 2006 fue detenido nuevamente, para ser liberado en 2009, luego de 30 meses de cárcel.

Fuente: ANSA

Visto em: Radio Cristiandad

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mais vocações para comunidades tradicionais. Vocações femininas.



O blog New Liturgical Movement, via “Kansas Catholic”, nos trouxe belíssimas imagens da Investidura e dos primeiros votos das irmãs da Congregação “Beneditinas de Maria, Rainha dos Apóstolos” (Benedictines of Mary, Queen of Apostles).
As irmãs Beneditinas formam uma comunidade recente, fundada em 1995 (15 anos), através da proteção da produtiva Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, na diocese de Scranton.
Em 2006, as irmãs são convidadas a atuar na diocese do Kansas, onde residem até hoje, pelo bispo Dom Robert W. Finn. Dom Finn agraciou a comunidade com um prédio provisório até que o grupo tenha condições financeiras de construir um convento num terreno doado por benfeitores e providenciou para que toda a situação canônica estivesse em ordem.
Em 2008 a comunidade era formada por 18 beneditinas. Hoje, há pelo menos mais 5 novas irmãs, em diferentes estágios da vida monástica e mais uma dúzia de pretendentes.
Qual é o fermento da comunidade? Bom, antes de responder é preciso destacar que, com a recente Visitação Apostólica em curso nos EUA, para investigar justamente a decadência dos conventos e mosteiros femininos, já estamos acostumados a ver os EUA como um deserto de vocações femininas. Segundo o cardeal Franc Rodé, encarregado pela visita, o que fez e faz as comunidades femininas minguarem nos EUA é a mentalidade mundana, secular e o feminismo que, por alguma fresta, entraram nas comunidades.
Então, as irmãs beneditinas luzem como um sinal vivo e autêntico de contradição. Enquanto as congregações tradicionais (incluindo outros ramos beneditinos) morrem e definham como um galho solto da arvore, as irmãs florescem e prosperam!

A resposta para o sucesso das irmãs está justamente na estrita observância das práticas tradicionais da vida monástica, tornando o mosteiro uma verdadeira escola para o seguimento de Jesus Cristo e não uma comunidade libertadora e feminista.
As irmãs vivem uma vida religiosa e litúrgica segundo os livros publicados antes da reforma de 1969. Ah! Eis o ingrediente do sucesso. Nenhuma comunidade tradicional experimenta problemas vocacionais. Permitam-me repetir, para eterno desgosto daqueles que se opõem e se envergonham do passado da Igreja - Nenhuma!
Isso só nos faz ter a certeza aritmética que o passado da Igreja não é, nem de longe, como pintam alguns clérigos.
Fraternidade Sacerdotal São Pedro e Instituto Cristo Rei estão adiando a entrada de jovens nos seus seminários por falta de espaço. O Cônegos de São João Cantius também estão regulando as vocações por falta de espaço. Os Franciscanos da Imaculada, o único ramo franciscano que está crescendo, estão quase no mesmo estágio. É um desastre para todos aqueles que afirmam que o Motu Proprio só causou problemas! Onde estão esses problemas? Vocações crescendo, liturgias com decoro e catecismo ensinado são problemas? Talvez na cabeça confusa e dialética desses críticos, sim, são problemas graves!

Adicione aos grupos listados acima outros que, embora não vivam segundo a liturgia antiga, levam a sério aquela tarefa particular que, no passado medieval e obscuro da Igreja, se chamava “salvação das almas”; grupos como Opus Dei e a Legião de Cristo (embora este último com problemas técnicos que não desabonam, absolutamente, a obra dos seus padres).
E que nos apresentam os críticos do Papa Bento XVI? Seminários vazios, ordens religiosas envelhecidas ou empobrecidas, quando existem. Outros frutos são: a vida desregradas das paróquias, deformação do “carisma” das ordens tradicionais (se encontrar um Jesuíta brasileiro que viva como jesuíta, me avise), desleixo com a missão e o apostolado de conversão, etc.
E está ai, claro como a água do nosso batismo. Quantos não pensam que a função primordial e essencial da Igreja Católica é ajudar os pobres, como uma ONG. É só perguntar para qualquer católico moderno na saída da missa.
Mas essas irmãs e todos os membros das comunidades tradicionais estão dizendo: Não é bem assim, ajudar é importante, mas salvar é o fundamental!
E elas crescem e crescem, transbordam e vivem com alegria e maturidade a vocação para a qual foram chamadas. E nos brindam com belíssimas cerimônias, verdadeiramente tocadas pelo amor de Deus e pela misericórdia de Cristo!
Enquanto que o fermento dos críticos de Bento XVI é o mesmo fermento dos Fariseus (cf. São Lucas 12,1) e só produz pão terreno e perecível (uma mistura de glútem e progressimo), essas comunidades são alimentadas com o Pão Vivo que desceu dos céus e que lhes dará vida eterna.
Rezemos, caros leitores, por essa jovem comunidade que desabrocha como uma flor perfumada. Que as orações dessas novas irmãs subam aos céus com odor agradável e, na certeza da intercessão de São Bento, intercedam por todos os sacerdotes e bispos do mundo que ainda teimam em comer o pão da terra.

O cardeal que inspirou a ''Humanae Vitae''


Que a sua mudança tenha sido reacionária, como afirmam alguns, ou uma obra corajosa de proteção da doutrina católica, como defendem outros, certamente Paulo VI, depois do Concílio Vaticano II, assumiu posições que tendiam a frear a onda de mudança que havia investido sobre a Igreja: basta pensar na encíclica "Humanae Vitae", de 1968, com a qual o Papa Montini condenou a contracepção farmacêutica.
Mas até agora não havia vindo à tona a contribuição dada a essas escolhas por parte do cardeal Giuseppe Siri (foto), arcebispo de Gênova, na Itália, com o qual o Pontífice nem sempre havia se encontrado em sintonia anteriormente.
A reportagem é de Antonio Carioti, publicada no jornal Corriere della Sera, 02-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Quem chama a atenção sobre a relação entre os dois altos prelados é o ensaio com o qual o historiador Paolo Gheda abre um livro de mais vozes editado por ele, "Siri, la Chiesa, l’Italia" (Ed. Marietti 1820, 417 páginas), que inclui uma intervenção do presidente da CEI [Conferência dos Bispos da Itália], Angelo Bagnasco, e contribuições de estudiosos como come Pietro Borzomati, Roberto de Mattei, Benny Lai, Lorenzo Ornaghi, Gaetano Quagliariello, Danilo Veneruso.
Com base em diversos documentos inéditos, a consonância pós-conciliar entre o Papa e o purpurado lígure surge aqui de modo muito nítido, assim como em geral eles parecem mais próximos do que se poderia acreditar.
Gheda, porém, não nega as suas divergências acerca da relação entre a Santa Sé e a Conferência dos Bispos da Itália, à cuja autonomia Siri tinha muitas, tendo também "dores, desprazeres e humilhações" quando foi seu presidente, de 1959 al 1965, tanto que chegou a acolher com vivo arrependimento, como ele mesmo escrevia em uma carta inédita do dia 28 de setembro de 1962, a decisão de João XXIII de confirmá-lo no cargo por três anos.
Também no campo doutrinal, não faltaram momentos de atrito. Na iminência do Concílio, o cardeal de Gênova mostrava ter medo que Montini, na época arcebispo de Milão, fosse indulgente com relação às novas tendências teológicas. E no curso do Vaticano II, o tema delicado das fontes da revelação lhes viu, lembra Gheda, "sobre posições diversas, senão totalmente opostas".
A situação mudou a partir da eleição de Montini ao sólio pontifício (junho de 1963), que o carregou com uma responsabilidade opressiva. Já com a sua "Nota Praevia" à constituição dogmática "Lumen Gentium" de novembro e 1964, no qual reforçava no primado papal, Paulo VI, segundo Gheda, "foi confortar as preocupações do prelado lígure", tanto que Siri se disse satisfeito acerca do êxito do Vaticano II.
Mas foi a fase posterior, que parece abrir caminho para uma radical transformação do catolicismo, que os levou para a mesma linha. Essa, pelo menos, é a impressão que Siri teve quando encontrou Paulo VI no dia 21 de abril de 1966. No seu relato da conversa, até agora inédito, o cardeal refere ter deplorado a "notável inconsciência" das editoras católicas, o "relativismo asfixiante" de certos teólogos, a difusão "dos fáceis slogans e das palavras vazias". E nota que o Papa, mesmo que mais mórbido do que ele com relação aos desvios doutrinais, recebeu substancialmente "bem esse grave discurso". Tanto que, escreve Siri, Paulo VI o dispensou dizendo-se "feliz de ter apoio em colaboradores sábios e honestos" como ele.
Isso é suficiente, observa Gheda, para considerar que a experiência à liderança da Igreja "levou Montini a 'reavaliar' a linha de Siri", que durante o Concílio havia assumido posições de marca conservadora.
A confirmação veio de um outro texto inédito: uma carta ao Papa, datada no dia 1º de novembro de 1967, na qual o cardeal genovês invoca uma firme pronúncia papal sobre os contraceptivos. Há confessores, denuncia Siri, "que autorizam os fiéis a usar métodos anticoncepcionais", o que produz um dano "notabilíssimo" para "toda a vida moral". Consequentemente, "os pastores de almas estão em verdadeira e grave angústia", enquanto entre os católicos se difundem "incertezas" que comprometem a confiança nos ensinamentos da autoridade eclesiástica. Urge por parte do Papa, afirma o cardeal, uma forte "declaração de confirmação da regra tradicional", que possa "tranquilizar os fiéis" acerca da "permanência da Lei natural" e do "caráter absoluto da verdade certamente adquirida".
Gheda se questiona se a carta influenciou a preparação da "Humanae Vitae" – que foi publicada cerca de nove meses depois, no dia 25 de julho de 1968 – ou foi talvez "pedida pelo Papa". É difícil, porém, pensar que a intervenção de Siri não tenha tido um peso na decisão de Paulo VI, que, com a encíclica, contradisse o parecer da maioria da Comissão Pontifícia encarregada de estudar o problema do controle de nascimentos e atraiu ásperas críticas também dentro do mundo católico, ainda muito dividido sobre a questão.
Hoje, com a importância crucial que as questões bioéticas assumiram por causa do progresso tecnológico, a "sacralidade da vida" entendida no sentido tradicional torna-se sempre mais central ao se definir o compromisso da Igreja. Mesmo que se possa discordar dessa impostação, é preciso reconhecer que Sini marcou durante muito tempo a trincheira sobre a qual ela podia se manifestar. E que Montini se encontrou de acordo com ele.

Artigo do Igreja Una levanta panorama da Cúria Romana nos últimos anos

Secretário DiNoia, um neo-Ranjith?


Secretário da Congregação para o Culto Divino nas Vésperas da FSSP.

O Vaticano tem uma formação curiosa nas suas congregações. Sempre que um prefeito é demasiado conservador, o seu secretário é um pouco menos e o inverso também é válido. Penso ser uma tática para manter o “equilíbrio da força”.

A Congregação para o Culto Divino prova um pouco essa teoria. Na Cúria do final do pontificado de João Paulo, praticamente depois do grande Jubileu do ano 2000, tornou-se um lugar inóspito para qualquer tentativa de se restaurar certo decoro nas celebrações litúrgicas, muito mais improvável era a publicação do desejado Motu Proprio sobre a missa antiga.

O prefeito, desde 2002, era o cardeal nigeriano Francis Arinze, um bispo que não suportava a idéia de um Motu Proprio para a missa tradicional. “Este é o nosso bebê!” exclamou o cardeal, com o novo missal nas mãos, durante a visita Ad Limina dos bispos alemães ao Vaticano segundo conta o bispo Bernard Fellay. Arinze, embora não fosse um ardoroso fã dos abusos litúrgicos, era menos fã do rito antigo.

E Arinze havia substituído, como prefeito da Congregação, o cardeal Medina Estévez, um chileno que queria ver a missa antiga liberada. Medina é ainda um defensor da missa tradicional e frequentemente a reza no Chile.

Medina, um conservador, assumiu a Congregação como pró-Prefeito em 1996. Herdou um secretário brasileiro, Geraldo Majella Agnelo, atual arcebispo de Salvador, que já estava lá desde 1991. É interessante como a convivência com o prefeito chileno não acrescentou nada ao prelado brasileiro, que ainda proíbe a missa antiga.

A substituição de Medina por Arinze foi obra, sem dúvida, do “Vice-Papa”, também conhecido como Cardeal Ângelo Sodano. Sodano foi a figura mais poderosa do pontificado de João Paulo II e, na época de aguda doença do pontífice, via suas atribuições expandidas. Não é preciso destacar que Sodano também não gosta da missa antiga.

Talvez o único período onde esta Congregação ficou nas mãos de dois bispos cuja agenda era bem diferente do atual pontificado, foi entre 2003 e 2005. Arinze, prefeito, e Domenico Sorrentino, secretário.

Sorrentino era um homem do direito, da administração, e não da liturgia. Tinha vínculos com a Secretaria de Estado do Vaticano (Sodano, novamente) antes de figurar como secretário do Culto Divino. A influência do Cardeal Sodano era enorme, praticamente todas as congregações vaticanas tinham homens oriundos da Secretaria de Estado. Isso gerou grandes conflitos com o então cardeal Ratzinger que via a “Doutrina da Fé” perdendo espaço para a “Política na Fé”.

O Motu Proprio, que tinha condições de ser publicado já na década de 90, se viu adiado ao máximo graças aos esforços dos secretários, subsecretários e membros das congregações vaticanas que tinham por padrinho o cardeal Sodano.

Continuando a história da Congregação para o Culto Divino. Eis que, em 2005, algo muda drasticamente. Sodano não venceu o conclave, tampouco Tettamanzi ou Martini. Ratzinger alcança o trono de Pedro e a liturgia torna-se o eixo do seu pontificado.

O neo-papa sabia do funcionamento da Cúria, conhecia suas curvas, seus becos mais sinistros e se pôs a agir, lenta, mas decididamente.

Já em 2005, removeu de uma vez por todas o arcebispo Sorrentino, enviando-o para Assis. Não foi uma transferência, tampouco uma remoção, mas uma verdadeira implosão do aparato progressista encastelado na Congregação.

A represália de Bento XVI para com Sorrentino foi grande, porque o mesmo não se tornou arcebispo de nenhuma diocese potencialmente cardinalícia da Itália (como normalmente ocorre quando um secretario da cúria é nomeado bispo fora do vaticano), na verdade nem se tornou arcebispo de fato, tendo apenas um título.

E para o lugar de Sorrentino, veio um núncio asiático! Quem pensaria nisso? É claro que pelo menos o pontífice pensou e escolheu Malcon Ranjith.

Dom Ranjith, que já havia trabalhado na Cúria e fora exilado como Núncio pelo lobby de Sodano, volta com força total. O período de atuação de Dom Ranjith foi o único na história recente onde a figura do Prefeito da Congregação ficou totalmente eclipsada pelo secretário. Ranjith foi sucesso imediato entre os fiéis tradicionais e se tornou alvo preferencial dos curiais insatisfeitos com sua crítica feroz.

Ranjith foi peça fundamental para a liberação da missa antiga, em 2007. E sua atuação na divulgação do Motu Proprio foi explosiva. Sodano já não estava no poder, agora era a vez de um antigo amigo de Bento XVI se tornar Secretário de Estado. Infelizmente, nem Bertone pôde conter a fúria dos bispos curiais e dos bispos ingleses e alemães que, sabendo da substituição inevitável to Prefeito Arinze, temiam Ranjith a frente da Congregação, como prefeito e cardeal.

Mas um novo nome despontava no horizonte como potencial substituto do cardeal Arinze. Antonio Cañizares Llovera, recentemente criado cardeal pelo Papa Bento XVI e arcebispo de Toledo, na Espanha. Conservador, do estilo Medina Estévez.

Arinze e Ranjith são substituídos quase simultaneamente. O primeiro, aposenta-se. O segundo, diferentemente de Sorrentino, torna-se arcebispo de Colombo no Sri-Lanka e chefe da Igreja Católica naquele país.

Se para o lugar de Arinze já havia um nome conservador, então para o lugar de Ranjith deveria haver um progressista. Especulavam sobre Piero Marini, então ex-mestre de cerimônias do Papa. Contudo, Bento XVI também não nutria uma simpatia pelo Arcebispo Marini, que agora comanda um comitê sem importância em Roma. Então que fazer?

Se antes os nomes eram indicados pela face política da Igreja, agora eles eram nomeados de acordo com fortes colaboradores da Congregação para a Doutrina da Fé. Foi assim com a Congregação para a Causa dos Santos, cujo atual prefeito é o arcebispo Ângelo Amato, ex-secretário da Doutrina da Fé. E foi assim que a história se processou, trazendo à luz o nome de Joseph Augustine DiNoia, sub-secretário da Doutrina da Fé da época Ratzinger.

Eis que, depois de revisarmos um pouco a história recente desta congregação, vamos ao nosso post em si.

DiNoia era um desconhecido. Sua única atuação pública se deu recentemente, na publicação do documento que recebe os anglicanos na Igreja Católica. Ninguém conhecia as posições de DiNoia sobre a missa antiga, por exemplo. “Conhecia”, no passado.

Recentemente, como parte das celebrações para o Ano Sacerdotal, o misterioso secretário da Congregação participou das Vésperas segundo o antigo uso. A cerimônia se deu na paróquia da Fraternidade de São Pedro em Roma.

As belíssimas fotos já estão, como sempre, disponíveis na internet. Via Orbis Catholicus e New Liturgical Movement.

Parece que, diferentemente de 2003-2005, a Congregação para o Culto Divino agora possui dois chefes prontos para colocar a engrenagem do projeto litúrgico de Bento XVI em movimento. Cañizares e DiNoia são dois bispos comprometidos com a correção dos abusos no rito novo e com a expansão generosa da missa antiga. E deve ser assim, porque é realmente anormal termos parte da liturgia sendo comandada por uma comissão – a Ecclesia Dei – ainda que esta comissão seja bem competente e a outra parte nas mãos do Culto Divino. Isso é uma clara contradição numa Igreja que se esforça para provar que as duas formas constituem um duplo uso da liturgia romana e não dois ritos diferentes. Sendo o mesmo rito, só pode haver um único dicastério encarregado.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Papa faz nomeações para o Brasil

Quarta-feira, 30-12-09, o Santo Padre fez nomeações e elegeu novos bispos para o Brasil:

S. Exa. Dom Alberto Taveira Corrêa até hoje Arcebispo de Palmas (TO) como Arcebispo de Belém do Pará.

S. Exa. Dom Pedro Luiz Stringhini até então Bispo Auxiliar de São Paulo como Bispo de Franca (SP).

S. Exa. Dom Vicente Costa até hoje Bispo de Umuarama (PR) como Bispo de Jundiaí (SP).

Revmo. Pe. Waldemar Passini Dalbello até o momento Reitor do Seminário Interdiocesano de Goiânia (GO) como Bispo Auxiliar de Goiânia.

Revmo. Pe. Edmar Peron até o momento Reitor do Seminário Arquidiocesano Santíssima Trindade de Maringá (PR) como Bispo Auxiliar de São Paulo.

Fonte: Santa Sé

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Bento XVI aos Bispos do Brasil





Confirmar os irmãos na fé? Acho que não...

“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos”. (Lc 22, 31-32).

Os bispos brasileiros estão realizando suas visitas ao Sucessor de Pedro que “que de braços abertos vos acolhe a todos vós”. Vários grupos regionais da CNBB já partiram e retornaram de Roma, após longa peregrinação pelas Basílicas e, mais importante, pelos dicastérios Pontifícios.

Qual a finalidade da visita Ad Limina? Fortalecer os laços de amor e afeto que unem o Bispo de Roma aos bispos locais? Sim, mas não é só isso. A principal função da visita, realizada obrigatoriamente a cada 5 anos (exceto se você for Dom Casaldáliga, porque vai poder ignorar isso e aparecer se quiser, quando quiser) é fortalecer o braço de Pedro nas dioceses.

Alguns relutam em dizer isso, mas é fato – as visitas Ad Limina são necessárias para manter o poder do Papa sobre os bispos. Que mal há em admitir isso? Bom, talvez o orgulho de alguns prelados não permita tal constatação.

Mas vamos ao que interessa. As visitas Ad Limina brasileiras estão me deixando envergonhado. Sim envergonhado, pois vejo Pedro não tendo meios de “confirmar” seus irmãos na fé, mas tendo que “introduzi-los” na fé. Cada alocução pública do pontífice aos grupos brasileiros torna-se praticamente uma aula de catecismo. Imagine isso! Catecismo aos bispos!

Bento XVI precisa “reforçar” dizendo que “a função do presbítero é essencial e insubstituível para o anúncio da Palavra e a celebração dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia, memorial do Sacrifício supremo de Cristo, que dá o seu Corpo e o seu Sangue” e pede aos bispos do Nordeste 2 que “na vossa solicitude pastoral e na vossa prudência, procurais com particular atenção assegurar às comunidades das vossas dioceses a presença de um ministro ordenado. Na situação atual em que muitos de vós sois obrigados a organizar a vida eclesial com poucos presbíteros, é importante evitar que uma tal situação seja considerada normal ou típica do futuro”.

Mesmo diante de uma crise vocacional e sacerdotal não seria necessário lembrar o bispo do lugar proeminente do sacerdote na vida da comunidade.
Enfrentar os problemas correntes da vida diocesana, aconselhando, é uma coisa. Mas o que Bento XVI está fazendo, sutilmente, é alertar aos bispos do curso inadequado de algumas práticas pastorais vigentes, que estão contribuindo para uma secularização do povo católico.

Atualmente há uma nova geração já nascida neste ambiente eclesial secularizado que, em vez de registrar abertura e consensos, vê na sociedade o fosso das diferenças e contraposições ao Magistério da Igreja, sobretudo em campo ético, alargar-se cada vez mais. Neste deserto de Deus, a nova geração sente uma grande sede de transcendência”.

E o tapa mais violento veio com a recordação das bodas de prata da instrução Libertatis nuntius, sobre a Teologia da Libertação. Recordar é viver!

A Teologia da Libertação foi a “heresia singular” mais combatida por João Paulo II e, osmose, pelo cardeal Ratzinger. Enquanto o Papa polonês se fazia visível pelo mundo todo o cardeal redigia as condenações dos artífices dessa falsa teologia.

Envergonha-me saber que o sucessor de Pedro ainda precisa fazer este tipo de admoestação, mesmo depois de 25 anos da condenação da Teologia da Libertação. Se Pedro “relembra” é porque ela ainda está viva (e sabemos que está) e ativa.

Rezemos pelo Papa e pelos bispos do Brasil – o primeiro, para que não tenha medo dos lobos; os demais, para que deixem de morder.



sábado, 5 de dezembro de 2009

Discurso aos Bispos do Grupo V - "ad limina" 2009

Venerados Irmãos no Episcopado,

Dou as boas-vindas e saúdo a todos e cada um de vós, ao receber-vos colegialmente no quadro da vossa visita ad limina. Agradeço a Dom Murilo Krieger as expressões de devotada estima que me dirigiu em nome de todos vós e do povo confiado aos vossos cuidados pastorais nos Regionais Sul 3 e 4, expondo também os seus desafios e esperanças. Ouvindo estas coisas, sinto elevarem-se do meu coração ações de graças ao Senhor pelo dom da fé misericordiosamente concedido às vossas comunidades eclesiais e por elas zelosamente conservado e arduamente transmitido, em obediência ao mandato que Jesus nos deixou de levar a sua Boa Nova a toda a criatura, procurando impregnar de humanismo cristão a cultura atual.

Referindo-me à cultura, o pensamento dirige-se para dois lugares clássicos onde a mesma se forma e comunica – a universidade e a escola –, fixando a atenção principalmente nas comunidades acadêmicas que nasceram à sombra do humanismo cristão e nele se inspiram, honrando-se do nome «católicas». Ora «é precisamente na referência explícita e compartilhada de todos os membros da comunidade escolar – embora em graus diversos – à visão cristã que a escola é "católica", já que nela os princípios evangélicos tornam-se normas educativas, motivações interiores e metas finais» (Congr. para a Educação Católica, Doc. A escola católica, n. 34). Possa ela, numa convicta sinergia com as famílias e com a comunidade eclesial, promover aquela unidade entre fé, cultura e vida que constitui a finalidade fundamental da educação cristã.

Entretanto também as escolas estatais, segundo diversas formas e modos, podem ser ajudadas na sua tarefa educativa pela presença de professores crentes – em primeiro lugar, mas não exclusivamente, os professores de religião católica – e de alunos formados cristãmente, assim como pela colaboração das famílias e pela própria comunidade cristã. Com efeito, uma sadia laicidade da escola não implica a negação da transcendência, nem uma mera neutralidade face àqueles requisitos e valores morais que se encontram na base de uma autêntica formação da pessoa, incluindo a educação religiosa.

A escola católica não pode ser pensada nem vive separada das outras instituições educativas. Está ao serviço da sociedade: desempenha uma função pública e um serviço de pública utilidade, não reservado apenas aos católicos, mas aberto a todos os que queiram usufruir de uma proposta educativa qualificada. O problema da sua paridade jurídica e econômica com a escola estatal só poderá ser corretamente impostado se partirmos do reconhecimento do papel primário das famílias e subsidiário das outras instituições educativas. Lê-se no artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos do Homem: «Os pais têm direito de prioridade na escolha do gênero de educação a ser ministrada aos próprios filhos». O empenho plurissecular da escola católica situa-se nesta direção, impelido por uma força ainda mais radical, ou seja, a força que faz de Cristo o centro do processo educativo.

Este processo, que tem início nas escolas primária e secundária, realiza-se de modo mais alto e especializado nas universidades. A Igreja foi sempre solidária com a universidade e com a sua vocação de conduzir o homem aos mais altos níveis do conhecimento da verdade e do domínio do mundo em todos os seus aspectos. Apraz-me tributar aqui a mais viva gratidão eclesial às diversas congregações religiosas que entre vós fundaram e suportam renomadas universidades, lembrando-lhes, porém, que estas não são uma propriedade de quem as fundou ou de quem as freqüenta, mas expressão da Igreja e do seu patrimônio de fé.

Neste sentido, amados Irmãos, vale a pena lembrar que em agosto passado, completou 25 anos a Instrução Libertatis nuntius da Congregação da Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, nela sublinhando o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo. As suas seqüelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas. Suplico a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida; a todos recordo que «a regra suprema da fé [da Igreja] provém efetivamente da unidade que o Espírito estabeleceu entre a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, numa reciprocidade tal que os três não podem subsistir de maneira independente» (João Paulo II, Enc. Fides et ratio, 55). Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras de Santa Cruz.

Venerados Irmãos no episcopado, na união a Cristo precede-nos e guia-nos a Virgem Maria, tão amada e venerada nas vossas dioceses e por todo o Brasil. Nela encontramos, pura e não deformada, a verdadeira essência da Igreja e assim, através dela, aprendemos a conhecer e a amar o mistério da Igreja que vive na história, sentimo-nos profundamente uma parte dela, tornamo-nos por nossa vez «almas eclesiais», aprendendo a resistir àquela «secularização interna» que ameaça a Igreja e os seus ensinamentos.

Enquanto peço ao Senhor que derrame a abundância da sua luz sobre todo o mundo brasileiro da escola, confio os seus protagonistas à proteção da Virgem Santíssima e concedo a vós, aos vossos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, aos leigos empenhados, e a todos os fiéis das vossas dioceses paterna Bênção Apostólica.

Fonte: Santa Sé

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Discurso aos Bispos do Grupo IV - "ad limina" 2009

Senhor Cardeal,

Amados Arcebispos e Bispos do Brasil,

No meio da visita que estais cumprindo ad limina Apostolorum, vos reunistes hoje para subir à Casa do Sucessor de Pedro, que de braços abertos vos acolhe a todos vós, amados Pastores do Regional Sul 1, no Estado de São Paulo. Lá se encontra o importante centro de acolhimento e evangelização que é o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, onde tive a alegria de estar em maio de 2007 para a inauguração da Quinta Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Faço votos por que a semente então lançada possa dar válidos frutos para o bem espiritual e também social das populações daquele promissor Continente, da querida Nação brasileira e do vosso Estado Federal. Elas «têm direito a uma vida plena, própria dos filhos de Deus, com condições mais humanas: livres da ameaças da fome e de toda forma de violência» [Discurso inaugural (13/V/2007), n. 4]. Uma vez mais, desejo agradecer tudo o que foi realizado com tão grande generosidade e renovar a minha cordial saudação a vós e às vossas dioceses, recordando de modo especial os sacerdotes, os consagrados e consagradas e os fiéis leigos que vos ajudam na obra de evangelização e animação cristã da sociedade.

O vosso povo abriga no coração um grande sentimento religioso e nobres tradições, enraizadas no cristianismo, que se exprimem em sentidas e genuínas manifestações religiosas e civis. Trata-se de um patrimônio rico de valores, que vós – como mostram os relatórios, e Dom Nelson referia na amável saudação que em vosso nome acaba de dirigir-me – procurais manter, defender, estender, aprofundar, vivificar. Ao regozijar-me vivamente com tudo isto, exorto-vos a prosseguir nesta obra de constante e metódica evangelização, cientes de que a formação autenticamente cristã da consciência é decisiva para uma profunda vida de fé e também para o amadurecimento social e o verdadeiro e equilibrado bem-estar da comunidade humana.

Com efeito, para merecer o título de comunidade, um grupo humano deve corresponder, na sua organização e nos seus objetivos, às aspirações fundamentais do ser humano. Por isso não é exagerado afirmar que uma vida social autêntica tem início na consciência de cada um. Dado que a consciência bem formada leva a realizar o verdadeiro bem do homem, a Igreja, especificando qual é este bem, ilumina o homem e, através de toda a vida cristã, procura educar a sua consciência. O ensinamento da Igreja, devido à sua origem – Deus –, ao seu conteúdo – a verdade – e ao seu ponto de apoio – a consciência –, encontra um eco profundo e persuasivo no coração de cada pessoa, crente e mesmo não crente. Concretamente, «a questão da vida e da sua defesa e promoção não é prerrogativa unicamente dos cristãos. Mesmo se recebe uma luz e força extraordinária da fé, aquela pertence a cada consciência humana que aspira pela verdade e vive atenta e apreensiva pela sorte da humanidade. (…) O "povo da vida" alegra-se de poder partilhar o seu empenho com muitos outros, de modo que seja cada vez mais numeroso o "povo pela vida", e a nova cultura do amor e da solidariedade possa crescer para o verdadeiro bem da cidade dos homens» [Enc. Evangelium vitæ (25/III/1995), 101].

Venerados Irmãos, falai ao coração do vosso povo, acordai as consciências, reuni as vontades num mutirão contra a crescente onda de violência e menosprezo do ser humano. Este, de dádiva de Deus acolhida na intimidade amorosa do matrimônio entre o homem e a mulher, passou a ser visto como mero produto humano. «Hoje, um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética, onde se joga radicalmente a própria possibilidade de um desenvolvimento humano integral. Trata-se de um âmbito delicadíssimo e decisivo, onde irrompe, com dramática intensidade, a questão fundamental de saber se o homem se produziu por si mesmo ou depende de Deus. As descobertas científicas neste campo e as possibilidades de intervenção técnica parecem tão avançadas que impõem a escolha entre estas duas concepções: a da razão aberta à transcendência ou a da razão fechada na imanência» [Enc. Caritas in veritate (29/VI/2009), 74]. Jó, de modo provocatório, chama os seres irracionais a darem o próprio testemunho: «Pergunta, pois, aos animais e eles te ensinarão; às aves do céu e elas te instruirão, aos répteis da terra e eles te responderão, e aos peixes do mar e eles te darão lições. Quem não vê em tudo isto a mão de Deus que fez todas estas coisas? Deus tem nas suas mãos a alma de todo o ser vivente, e o sopro de vida de todos os homens» ( 12, 7-10). A convicção da reta razão e a certeza da fé de que a vida do ser humano, desde a concepção até à morte natural, pertence a Deus e não ao homem, confere-lhe aquele caráter sagrado e aquela dignidade pessoal que suscita a única atitude legal e moral correta, isto é, a de profundo respeito. Porque o Senhor da vida falou: «Da vida do homem pedirei contas a seu irmão. (...) porque Deus fez o ser humano à sua imagem» (Gen 9, 5.6).

Meus amados e venerados Irmãos, nunca podemos desanimar no nosso apelo à consciência. Não seríamos seguidores fiéis do nosso Divino Mestre, se não soubéssemos em todas as situações, mesmo nas mais árduas, levar a nossa «esperança para além do que se pode esperar» (Rom 4, 18). Continuai a trabalhar pelo triunfo da causa de Deus, não com o ânimo triste de quem adverte só carências e perigos, mas com a firme confiança de quem sabe poder contar com a vitória de Cristo. Unida ao Senhor de modo inefável está Maria, plenamente conforme ao seu Filho, vencedor do pecado e da morte. Pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, imploro de Deus luz, conforto, força, intensidade de propósitos e realizações para vós e vossos mais diretos colaboradores, ao mesmo tempo que de coração vos concedo, extensiva a todos os fiéis de cada comunidade diocesana, uma particular Bênção Apostólica.

Fonte: Santa Sé

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mons. Buke e os padres do Instituto Cristo Rei

O blog Igreja Una disponibilizou o seguinte texto e imagens acerca de Mons. Buke e os padres do Instituto Cristo Rei


Capítulo Geral do ICRSS

Neste mês de setembro o arcebispo Raymond Leo Burke participou, mais uma vez, de uma cerimônia solene organizada pelo Instituto Cristo Rei. Desta vez foi a reunião do Capítulo Geral, o primeiro depois que a instituição recebeu reconhecimento oficial do Santo Padre.

Como sempre as missas e cerimônias litúrgicas do Instituto tiveram todo o cuidado e zelo, já característicos do Instituto fundado por padre Walch. Cerimônias belas, com um forte toque barroco, são a marca registrada do Instituto e que diferencia o mesmo das outras comunidades tradicionais.

Dom Burke celebrou a missa para a festividade de São Pio X (3 de setembro). Isso me lembra que já está demorando mais que demais para que Bento XVI o eleve ao cardinalato! Onde está o consistório?

Abaixo coloco algumas fotos.















Mais fotos estão aqui

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Arinze aos Bispos Asiáticos – Não à falsa Inculturação.

O Cardeal Arinze adverte aos bispos asiáticos contra a falsa inculturação e dança litúrgica.

Original: Catholic Culture
Tradução livre – nossa!



O cardeal Francis Arinze, que serviu como Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos de 2002 a 2008, alertou os bispos asiáticos, numa homilia de 16 de agosto, contra idiossincrasias litúrgicas e falsas concepções de inculturação. O cardeal Arinze também lançou uma advertência contra a dança litúrgica.
Pregando em Manila na missa de encerramento da assembléia plenária da Federação dos Bispos Asiáticos, como enviado pessoal do Papa Bento XVI, o cardeal Arinze encorajou os bispos a estimular a adoração eucarística e a reverência.

A adoração se manifesta em gestos como genuflexão, inclinação, ajoelhar-se, prostrar-se e pelo silêncio na presença do Senhor. As culturas asiáticas têm um grande senso do sagrado e do transcendente. Reverência para as autoridades civis da Ásia se mostra no cruzar das mãos, no inclinar do corpo e no andar enquanto se encara um dignitário. Não deve ser difícil trazer e elevar este valor cultural para honrar Jesus Eucarístico. A moda em algumas partes do mundo de não instalar genuflexórios nas igrejas não deve ser copiada pela Igreja na Ásia.

Após elogiar o senso de sagrado presente nas culturas asiáticas, o cardeal Arinze alertou contra falsas concepções de inculturação e urgiu à observância das normas litúrgicas.

A forma como a Sagrada comunhão é distribuída deve ser claramente indicada e idiossincrasias individuais não devem ser permitidas. No rito latino, apenas os padres concelebrantes tomam a Sagrada Comunhão. A todos os outros ela é dada, não importa se são leigos ou clérigos. Não é correto que o padre descarte qualquer vestimenta porque o clima é quente ou úmido. Se necessário, o bispo pode arranjar o uso de uma roupa mais leve. Contudo, é inaceitável que o celebrante opte por vestes locais no lugar das vestimentas universalmente aprovadas para a missa, ou use cestas, ou cálices de vidro para distribuir a Sagrada Comunhão. Esta é uma inculturação compreendida de forma errada.

“É a Tradição da Igreja que durante a missa as leituras sejam escolhidas da Sagrada Escritura”, continua o cardeal. “Nem mesmo os escritos dos santos ou dos fundadores de ordens religiosas são admitidos. Está claro que livros de outras religiões estão excluídos, não importando quão inspiradores estes textos possam ser”.

O cardeal Arinze exortou aos bispos do continente a seguirem as normas da Igreja para a inculturação litúrgica, para que “a Igreja local seja poupada de inovações questionáveis e idiossincrasias de alguns clérigos entusiastas, cuja imaginação fértil cria algo no sábado à noite para ser imposta a congregação no domingo pela manhã”.

A dança em particular precisa ser criticamente examinada porque muitas danças levam a atenção ao dançarino e são entretenimento”, ele continua. “As pessoas vão à missa não para se divertirem, mas para adorar a Deus, louvá-Lo e agradecê-Lo, pedir perdão pelos seus pecados e pedir graças espirituais e materiais. Os mosteiros podem ajudar a mostrar como movimentos corporais podem se tornar oração”.

Fonte: Igreja Una