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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quem é o novo criador de bispos?

O cardeal Marc Ouellet durante a cerimônia de recebimento do título de Santa Maria em Traspontina, domingo, 26 de outubro de 2003 - 30 Giorni.

O cardeal Marc Ouellet durante a cerimônia de recebimento do título de Santa Maria em Traspontina, domingo, 26 de outubro de 2003 - 30 Giorni.

O Cardeal Dom Marc Ouellet, nomeado novo prefeito da Congregação para os Bispos, é uma figura praticamente desconhecida no Brasil. Em novembro de 2003, Sua Eminência concedeu uma entrevista à revista 30 Giorni, que traça um perfil do então recém-criado Cardeal: “durante muitos anos [trabalhou] na América Latina espanhola, e defendeu, também em alemão, a sua tese de graduação em Teologia [sobre a obra de Hans Urs von Balthasar]. Fala perfeitamente italiano, pois lecionou também em Roma, onde teve uma breve, porém intensa, experiência na Cúria como número dois no dicastério preposto ao diálogo ecumênico”. Por muito tempo foi membro do quadro editorial da revista Communio, representante do progressismo moderado apegado à letra do Concílio Vaticano II, em oposição à revista Concilium, que pretende estar aliada a seu “espírito”.

Caos.

Ordenado em 1968 no que considera “clima meio caótico”, o Cardeal lembra que no dia de sua ordenação um dos seus “familiares mais próximos disse-lhe: deverás mudar de idéia, pois parece que a Igreja a que darás a tua vida está desmoronando, parece não ter futuro. E dizia isso seriamente, não por brincadeira”.

Moderação.

Sobre liturgia, Sua Eminência diz que “depois do Concílio Vaticano II houve um movimento progressista litúrgico muito exagerado, que fez com que desaparecessem os tesouros da tradição como, por exemplo, o canto gregoriano. Tesouros que deveriam ser recuperados. Mas, como afirma o cardeal Joseph Ratzinger, deve-se recuperar principalmente o sentido sagrado da liturgia, ou seja, a percepção de que a liturgia não é algo que fabricamos, que podemos recompor segundo os nossos gostos passageiros, mas sim algo que se recebe, que nos é legado. Portanto, as objetividades das reformas litúrgicas têm a sua importância. Creio que as chamadas do cardeal Ratzinger sejam muito importantes. Penso que o Concílio Vaticano II tenha feito uma boa constituição sobre a sagrada liturgia, a Sacrosanctum Concilium. Mas a atuação da reforma litúrgica não foi – sempre – à altura. Seria preciso voltar à essência da Sacrosanctum Concilium”.

Tempo.

Para o Cardeal, depois do “Concílio Vaticano II a Igreja Católica entrou de modo decisivo e irreversível no movimento ecumênico. E isso é um grande fato pentecostal do nosso tempo, a ser avaliado de modo muito positivo. Mas a separação vivida por mil anos com a ortodoxia e por quinhentos com as comunidades nascidas da Reforma não pode ser restaurada imediatamente. Precisa-se de tempo”.

Para o sucesso do diálogo, Ouellet espera uma mudança de rumos: “a orientação ecumênica é centralizada demais no episcopado, nas relações entre colegialidade e papado e insuficiente sobre os fundamentos da fé e, portanto, sobre o papel de Maria”.

Rumos traçados já pelo Concílio Vaticano II, que deixou de aprovar o esquema exclusivamente dedicado à Santíssima Virgem, “fonte de vivas preocupações” para os peritos conciliares (cf. O Reno se lança no Tibre, ed. Permanência, pag. 96), para inseri-lo como um capítulo no esquema sobre a Igreja. Segundo os comentários do Padre Karl Rahner, a aprovaçã de um esquema separado “causaria um mal incalculável, em relação tanto aos Orientais como aos Protestantes”, pois “todos os resultados conquistados no domínio do ecumenismo, graças ao Concílio e em relação ao Concílio, seriam reduzidos a nada com a aprovação do esquema na forma em que estava”. (ibid).

Fonte: Fratres in Unum

Importantes nomeações: Oullet para os Bispos; Fisichella para a Nova Evangelização.

Como anunciamos anteriormente, o Santo Padre tornou públicas hoje as seguintes nomeações:
  • Do Cardeal Marc Ouellet, até agora arcebispo de Quebec, como prefeito da Congregação para os Bispos e Presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, em substituição ao Cardeal Giovanni Battista Re, que apresentou sua renúncia por motivo de idade. Todo o infeliz imbroglio que envolveu esta nomeação pode ser relembrado aqui, aqui e aqui.
  • Do Arcebispo Salvatore Fisichella como presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, órgão criado por Bento XVI visando recristianizar os países do ocidente e retirar Dom Rino Fisichella da presidência da Academia Pontíficia para a Vida, após sua queda em desgraça com o caso Recife. Um dossiê completo pode ser encontrado aqui. Espera-se que, no manual da “nova evangelização” proposto pelo novo conselho, não conste nenhuma apologia ao “aborto por misericórdia”…
  • De Monsenhor Ignacio Carrasco de Paula, substituindo Fisichela na Academia para a Vida e de Don Enrico dal Covolo, S.D.B, como reitor da Universidade Lateranense.
  • De Monsenhor Celestino Migliore como Núncio Apostólico na Polônia. Migliore era, até então, Observador Permanente da Santa Sé na ONU.
Fonte: Fratres in Unum